|
12 de junho – DIA DOS NAMORADOS
Faz mais de uma semana que venho tentando escrever uma crônica sobre esta data que nunca, - solteiros, casados, noivos, namorados ou apenas "enrolados" – deixamos de comemorar.
A pessoa amada é sempre tema para os sonhos que alimentamos e faz parte inseparável de nós próprios, dos nossos projetos de vida. Tudo que fazemos tem nela a principal inspiradora e última destinatária.
A inspiração, porém, anda meio em crise. Não consegui escrever nenhuma frase. Foi então que lembrei-me de um personagem a quem muito estimo e ao qual tenho um blogue dedicado. Seu nome – Mário Quintana.
Poucos poetas souberam, tão bem, como ele, falar de amor – este sentimento que une todos os enamorados e sustenta o ser humano ainda que nas situações mais complicadas. Pois bem. Quintana, o inspirador Anjo Malaquias, desceu desde as altas lonjuras onde se encontra atualmente e me socorreu.
Obrigado, amigo velho! Eu sabia que ias me tirar deste aperto. Permite que eu ofereça a todos os casais da Família "NÓS AQUI" – estejam eles juntos há muitos e muitos anos, ou apenas no preâmbulo recheado de ilusões e encantamentos em que a adolescência os embala – este teu poema que não sei a quem dedicaste, mas suponho, pelo que já conheço de ti.

INDIVISÍVEIS
O meu primeiro amor sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas.
Isto é, que a gente grande achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças...
Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que apenas tinham a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal – ou celestial – inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que disséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida...
(“Nariz de Vidro” – Ed. Moderna, 1984) - Publiquei em "SAPATOS E CATAVENTOS"
* * *
Esta é a mensagem que deixo aqui, dedicando-a à minha cara metade (na verdade, mais do que metade, pois a ela atribuo pelo menos uns oitenta e cinco por cento) e a todos vocês neste dia 12 de junho.
Vamos curtir esta data da melhor forma, com muitos abraços, beijos e carinho, pois carinho - e principalmente, AMOR - nunca é demais.
Vando
* * *
Foto: Escaneei do meu baú de velharias. Acho que comprei no Bric da Redenção.
|