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VILA NOVA
Pequena história de um bairro bonito
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Dentre os diversos temas que tenho rabiscados para esta série, faltando só pequenas correções, escolhi para hoje este, que trata de um bairro pelo qual tenho um carinho muito especial.
Sei que muitos vão me chamar de "bairrista", pois, por coincidência – apenas "coincidência" – eu moro na Vila Nova. E já faz algum tempo. Vinte e oito anos, para ser mais exato.
Gosto daqui. Mesmo passando por transformações visíveis, que vão lhe dando ares "civilizados", a Vila Nova guarda muito dos tempos primitivos. Aqui ainda se vêem paisagens verdes. Ouve-se cantoria de passarinhos. Respira-se ar puro. As pessoas se conhecem e cumprimentam-se, alegres. Até ao tomarem o ônibus, todos dizem "bom dia!", "boa tarde!", "boa noite!" ao motorista e ao cobrador, que retribuem sempre com amabilidade, quando não são, eles próprios, a tomarem a iniciativa. E mais uma particularidade que vocês não vão acreditar: ainda existem armazéns (e até um super-mercado!) que vende fiado, anotando num caderno todo seboso as compras da clientela. E, o mais incrível, ainda: os clientes... pagam!
É demais, não acham?
Mas, vamos ao tema, propriamente dito.
A Vila Nova tem aproximadamente 116 anos. (Desses, quase trinta são meus). Começou a ser habitada a partir de 1893, quando aqui chegaram os primeiros imigrantes italianos. Eles vinham de diversas regiões da Itália, mas principalmente de Mantova e Cremona, na Lombardia e Trento, no Trentino-Alto. Eram, em sua maioria, famílias de agricultores que instalando-se aqui, foram adquirindo áreas de terra e implantando chácaras, passando a cultivar pêssegos, ameixas, peras, verduras e videiras. Estas, de excelente qualidade, começaram a ser utilizadas na produção de vinho que logo teve boa aceitação, sendo comercializado não só no Rio Grande do Sul, como expandindo sua venda para o Rio de Janeiro e São Paulo.
Com muito trabalho e esforço coletivo, a nova vila – já então conhecida como "Colônia Vila Nova d'Italia" – muito distante da área urbana da Cidade, ainda de difícil acesso e parcos recursos – foi crescendo. Já em 1897, quatro anos após a chegada dos primeiros colonizadores, os novos porto-alegrenses criaram uma escola. Consta que a atual Escola Alberto Torres, na Av. Rodrigues da Fonseca, originou-se dela. Ainda não confirmei, mas pretendo pesquisar.
Católicos fervorosos, edificaram, tempos depois, isto é, em 1906, uma pequena capela, a partir da qual se originou a atual Igreja de São José da Vila Nova, ali na esquina da Vicente Monteggia com a Rodrigues da Fonseca.
Com o passar do tempo a economia da Vila foi se tornando importante fator de crescimento, daí surgindo a necessidade de criação de novos recursos que pudessem impulsionar o progresso que já se mostrava irreversível. Então foram criadas em 1911 uma Caixa de Crédito Rural e a Cooperativa Agrícola.
Desde a sua implantação, a "Colônia Vila Nova d'Italia" tem mostrado a sua pujança. Já em 1898 um dos pioneiros do bairro, Vicente Monteggia, tornou-se responsável pela construção de um moinho para produzir farinha de milho. O estabelecimento localizava-se junto à casa que serviu de residência para a Família, e da qual, atualmente, vemos, com muita mágoa, apenas ruínas que, ainda assim, atestam a beleza e a harmonia, embora singelas, da obra. (Logo, logo, estes vestígios devem desaparecer, pois a área está à venda e a deterioração do imóvel é uma realidade incontestável).
O Moinho de Monteggia ficava à margem esquerda do Arroio Cavalhada, que passava junto ao terreno, sendo represado para que suas águas dessem energia para o acionamento da turbina hidráulica.
A partir de 1912, foi criada na Estrada de Belém Velho, uma linha ferroviária que passava pela Vila Nova. O "seu" Flávio, um dos meus bons amigos e vizinho, nascido na Vila Nova há quase oitenta anos, e nela criado, conta que essa linha férrea acompanhava o traçado do que atualmente são as Avenidas Rodrigues da Fonseca, João Salomoni, seguia mais ou menos paralelamente o Arroio Cavalhada e ia até o Cristal, nas proximidades do Jóquei Clube.
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Hoje a Vila Nova conta com uma porção de outros "bairros" em sua área. São diversos condomínios construídos em anos mais recentes. Entre estes, está o "Jardim Salomoni", localizado em área adquirida da tradicional Família Salomoni e adjacente à dos Stringhini, família também descendente dos primeiros colonizadores. Sua localização é privilegiada. A frente original fica na Rua João Salomoni que vem a ser paralela a duas ruas internas: Rua Otaviano Pinto Soares e Rua Dr. Pio Fiori de Azevedo. Ao centro, conta com a movimentada Rua Joaquim de Carvalho, recentemente ampliada até à Av. Monte Cristo, dando acesso ao novíssimo hiper-mercado BIG, localizado na Avenida Eduardo Prado. Para este local, está projetada a construção – já em fase adiantada – de novos conjuntos residenciais da Cooperativa Geraldo Santana e de um novo e grandioso Shopping Center a ser edificado ao lado do hiper-mercado.
É importante assinalar, também, que o Jardim Salomoni possui uma bonita e extensa praça – a Praça Prof. Emílio Mabilde Ripoll – onde os moradores se reúnem aos finais de tarde e nos fins de semana para um agradável bate-papo e as crianças se divertem na "pracinha" que conta com balanços, escorregador e outros equipamentos. No Conjunto encontra-se também a Escola Municipal de Educação Infantil Jardim Salomoni – EMEI que iniciou suas atividades a partir de 1989.
Eu teria muitas outras coisas para contar sobre a Vila Nova, mas o espaço não comporta tema tão extenso. Para fazê-lo, teria que ser mais ou menos como quando lhes contei sobre "Santa Maria e eu", lembram? - que publiquei em 6 de maio do ano passado, e tive que dividir em nove capítulos. Mas pretendo retomar o assunto, mais adiante. Vocês concordam em esperar?
Então, aguardem. Qualquer dia eu volto.
Vando.
- Fotos minhas:
(1) Vista parcial do Jardim Salamoni, através da Praça.
(2) Praça Prof. Emílio Mabilde Ripoll |