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Telurismo
Ode aos antepassados
Ode à Música
O Príncipe dos Poetas BrasileirosGUILHERME DE ALMEIDA
Guilherme de Almeida (1890 - 1969)
Um dos grandes destaques deste mês de julho é o nome de Guilherme de Almeida, o Príncipe dos Poetas Brasileiros. Nascido em 24 de julho de 1890, em Campinas, SP, foi uma personalidade de destaque nos meios intelectuais e sociais como poeta, jornalista, advogado, cronista, tradutor, além de desenhista e profundo conhecedor de cinema. Faleceu em 1969, em São Paulo, SP, também num mês de julho, no dia 11.
É dele este belo soneto dedicado ao grande Anchieta:
Prece a Anchieta
Santo: ergueste a cruz na selva escura; Herói: plantaste nossa velha aldeia; Mestre: ensinaste a doutrina pura; Poeta: escreveste versos sobre a areia! Golpeia a cruz a foice inculta e dura; Invade a vila multidão alheia; Morre a voz santa entre a distância e a altura; Apaga o poema a onda espumejante e cheia... Santo, herói, mestre e poeta: — Pela glória que deste a esta Terra e à sua História, Pela dor que sofremos sempre nós. Pelo bem que quiseste a este povo, O novo Cristo deste Mundo Novo, Padre José de Anchieta, ora por nós! Fado
- Alma Portuguesa -
Entre as palavras pequenas De grande significado Com quatro letras apenas Emerge a palavra FADO!
* * * Euclides Cavaco
"Ecos da Poesia" - http://www.euclidescavaco.comUm Poeta Português
Navegar pela internet é um exercício que, com freqüência, nos brinda com surpresas agradáveis. Leva-nos, muitas vezes, a páginas que naquele momento não estávamos procurando, mas que são exatamente as que já deveriam estar adicionadas aos nossos favoritos. Foi assim que ontem descobri o saite "Ecos da Poesia", do poeta português Euclides Cavaco. Não vou tentar descrevê-lo mas garanto a vocês que é estupendo! Estive lendo sobre a biografia de Cavaco, sobre as obras que publicou, e deliciei-me com mais de uma dezena de seus poemas que considerei verdadeiras preciosidades (Aquarelas de Lisboa, Pedaços do Meu País, Palavras ao Vento, Idílicas Ilhas, Tributo a Amália, Rua da Amendoeira, Tudo isto é Pátria...). Cavaco nos fala de amizade, de ternura, de Pátria, de saudade, de seu Portugal, de Lisboa e dos Açores, e de fado – naturalmente! Mas fala principalmente de poesia. Por momentos, chegamos a imaginar, na sua página, o cheiro do mar, o murmúrio das ondas, o ruído das gaivotas. E podemos ouvir a música que nos chega d’Além Mar, os versos declamados pelo próprio Poeta e as canções que, por analogia, nos conduzem ao telurismo que a nós mesmos nos caracteriza. Como de vezes anteriores, sempre que eu encontrar coisas bonitas, estarei compartilhando com vocês. Esta é uma delas. Por isto quero convidar a todos para que visitem o saite de Euclides Cavaco. (Seu "link" está incluído em nossa página, no módulo "SAITES BONITOS"). E, finalizando, mostro-lhes dois poemas que copiei de "Ecos da Poesia". Estou certo de que os apreciarão, tanto quanto eu. Vando. - Folhas de Outono - "Folha de outono cadente Pelo tempo colorida Vais mudando lentamente Como muda a nossa vida. Verde foi teu nascimento Viçosa na mocidade E dançaste ao som do vento Valsas de amor e saudade. Foste beleza e frescura Deste sombra, foste vida Foste das aves ternura Dando aos seus ninhos guarida. Hoje num sopro és levada E vemos qual abandono Nossa vida retratada Em cada folha de Outono!..."
- A Força dum nada - "Fazem-se versos de um nada Dos versos nasce um poema... Surge d’âmago gerada A Vida... num novo tema!... São de palavras voando Livres pelos Universos, Que o poeta vai juntando P’ra dar sentido aos seus versos Em cortês galantear Procurando sintonia As palavras vão casar Numa pefeita harmonia. Tomam forma definida Que o poeta lhes imprime Dando vida à própria vida Da forma mais sublime... Vai-se um poema gerando Do nada que enfim provém Que nos deixa meditando... Na força que um nada tem!..."
Euclides Cavaco – Membro da Associação Portuguesa de Poetas
O Saite do Poeta: - "ECOS DA POESIA" - http://www.euclidescavaco.com/ Rabindranath Tagore - Dois textos do Poeta- Minha canção -
Rabindranath Tagore Minha canção te envolverá com sua música, como os abraços sublimes do amor. Tocará o teu rosto como um beijo de graças. Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido. Minha canção será como asas para os teus sonhos e elevará teu coração até o infinito. Quando a noite escurecer o teu caminho, minha canção brilhará sobre ti como a estrela fiel. Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até a alma das coisas. Quando minha voz se calar para sempre, minha canção te seguirá em teus pensamentos. - Aforismos -
Foto: Alex Sher (c) 2006 - Ukraine, Cloudy Kara-Dag View
Como as gaivotas e as ondas se encontram, nos encontramos e nos unimos. Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo. Se faço sombra em meu caminho, é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração, e não duvido jamais das flores de tua primavera.
Quando o dia cai, a noite o beija e lhe diz ao ouvido: O mistério da vida é tão grande como a sombra na noite.
A ilusão da sabedoria é como a névoa do amanhecer.
Lemos mal o mundo, e dizemos logo que nos engana.
A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra.
Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei.
Cada criança nos chega com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens.
Elogios me acanham, mas secretamente imploro por eles. Cecília Poema
Suavíssima
- Cecília Meireles -
Foto do saite www.modernosdescobrimentos.inf.br/ * Amar a Vida
Místicas – 35
Seja meu amor pela vida uma oração perene de respeito à vida. Fale, então, minha boca, palavras de ouro do louvor prudente. Busquem minhas mãos ansiosas, braços de dor quebrados. Pense minha mente, brandura, que lave o coração. Cante minha alma a canção sem rima de adoração ao Bem. Sofra meu corpo todas as dilacerações do uso grotesco do pecado, sem gozar nem pasmar. Experimentem minhas alegrias a singeleza da ordem ritmada do equilíbrio. Vejam meus olhos o mal, como o cego errante, sem o enxergar, e descubram a virtude, com o inquieto brilho da criança trêfega. Perceba meu olfato o cheiro ondulante da exemplificação. Ofereço meus cuidados a limpar os pés dos dias, em sinal de respeito, quando me deitar na alcatifa da noite, postando-me em devoção. Seja o meu amor à vida uma oração de respeito à vida, para que, na encarnação futura, o meu amor seja a própria vida. Rabindranath Tagore * * * Foto: Rabindranath Tagore Um pouco de poesiaA ARCA DE NOÉ
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.
E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca
Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.
Tão verde se altéia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"
E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.
Ora vai, na porta aberta.
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.
E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.
Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora a cabeça botam.
Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.
A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.
Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pelo
Pela terra prometida.
"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão.
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre - "Não!"
Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.
Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.
Na serra o arco-íris se esvai . . .
E . . . desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória
Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.
(Vinícius De Moraes)
Figura do saite http://cartoline.auguri.it/ Um soneto do Poeta-Menino
Recordo ainda * * *
Mário Quintana |
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