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日志


Você jamais se arrependerá

 

O PRESENTE DE SER MÃE 

 

 

       É a história de uma mãe conversando com a sua filha já adulta:

 

       Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em "começar uma família".

 

       "Nós estamos fazendo uma pesquisa", ela diz, meio de brincadeira. "Você acha que eu deveria ter um bebê?"

 

       "Vai mudar a sua vida", eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

 

      "Eu sei", - ela diz. "nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas..."

 

       Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

 

       Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar "E se tivesse sido o MEU filho?" Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

 

       Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de "Mãe!" fará com que ela derrube um suflê na sua melhor blusa sem hesitar nem por um instante.

 

       Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

 

       Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e sexo serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

 

       Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

 

       Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida - não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

 

       Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

 

       O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em  brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

 

       Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, com o preconceito e com os motoristas bêbados.

 

       Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

 

       Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

 

       "Você jamais se arrependerá", digo finalmente.

 

       Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.

 

* * *

 

       Esta crônica me foi enviada por e-mail, pela Roberta Heise Gonçalves, em 29-Out-2009. Depois de lê-la - cinco, seis, oito vezes, - eu a guardei, com a certeza de que, de um momento para outro, eu iria publicá-la. 

 

       O momento chegou. 

 

       Vando 

 

* * *

 

FOTO: Elis Frigini - Escaneada e editada por mim

Publicada no blog "ARTES E MANHAS"

 

 

Crônica do fim do mês

 

O QUE FIZERAM DO MEU JEITO DE FALAR? 

       Hoje me surpreendi ao constatar que neste mês ainda não publiquei nada no nosso site. Outubro termina amanhã, sábado e quase passava “em branco” pela minha já tradicional falta de tempo. Alguns opositores já dizem que tempo não é o que falta; é preciso saber administrar melhor o de que disponho. Na conjuntura atual fico na dúvida, mas vou fazer uma auditoria e ver se descubro onde está o problema. Mas enquanto não faço isto, vamos em frente.

 

       Por falar em "em branco", (vide o parágrafo anterior) lembrei-me, de súbito (como Mário Quintana gostava de dizer) que preciso ter mais cuidado com o “politicamente correto”, tão enraizado nas mentes contemporâneas. A expressão acima bem pode causar constrangimento, e até ofender a algum esquimó que eventualmente esteja, neste exato momento, sentado confortavelmente no interior de sua cabana ou de seu iglu, protegido com peles de focas e de renas, com o seu note-book sobre os joelhos, me lendo, lá nos confins da Lapônia ou circunvizinhanças árticas). Vou ler com mais freqüência o meu “livro de visitas” para ver se não colocaram nele nenhum protesto.

 

       Aliás, também tenho que estar atento a outros “modos de dizer as coisas”, para não correr riscos. Ouço seguidamente severas críticas feitas aos incautos – ou nem tanto – que se utilizam de expressões como “a coisa está preta”, ou “isto é uma judiaria” e inúmeras outras que, em tempos recentes, vêm sendo paulatinamente atacadas e banidas com o objetivo de não melindrar certas “minorias”. Portanto, é imprescindível redobrar os cuidados com o que digo, inclusive quanto à interpretação que possa ser dada a “certas” minorias. O peixe morre pela boca.

 

       A esse respeito, é bem característico o problema que venho enfrentando com meu vizinho que mora no apartamento bem em frente ao meu. Na verdade, moramos aqui há mais de vinte e cinco anos, pois compramos nossos “imóveis” (ih!... tomara que nenhum “deficiente físico” nos acesse!) na mesma época. Mas, como eu dizia, meu vizinho é Médico (assim, com inicial maiúscula, pois é dos bons). Somos, naturalmente, bons amigos, mas às vezes fico indeciso quanto à forma de tratamento que devo lhe dispensar nos momentos de menos informalida- de. Digo isto porque há tempos, em conversa com uma amiga da família, que é enfermeira (assim mesmo, com letrinhas minúsculas, todas; com o devido respeito) esta se referia às atividades que exerce, incluindo-as entre as demais da área médica, enfatizando que todos são modernamente (re)conhecidos como “profissionais de saúde” e que este é o "modo correto" de chamá-los.  

 

       Mas as coisas não param por aí. O que dizer, por exemplo, dos “trabalhadores em educação”? Acho que não vou dizer muito, pois se me atrevesse a tal, a crônica ia ficar enorme e ia ter que continuar "no próximo capí- tulo". De qualquer modo, de repente senti uma saudade enorme da “minha” Professora (esta, sim com letras maiúsculas, caixa-alta, enormes, garrafais) dos tempos de infância. E depois, dos Professores que nos apoiaram, a mim e à Nina, para fundar o CPM do Apeles, nos idos dos anos 1970/80... do século passado! E dos incontáveis Professores que passaram pelas nossas vidas e pelas vidas de nossos filhos, pelos quais todos guardávamos venerável respeito, pois, mais do que Professores, eram justamente considerados Mestres.  

 

       Antes de continuar, preciso confidenciar a vocês uma coisa: antigamente eu era do sexo masculino. (Por favor, vamos com calma, gente!... Por que os cochichos? Cuidado com a interpretação que vocês vão dar, pois não renunciei nem renuncio. O que estão pensando?). Do sexo masculino, sim. Como meu pai, o “seu” Romeu, e como os “vôs” e “bisos” e "trisos" João, Ramiro, Odorico... Minha mãe, a “dona Evinha”, era do sexo feminino. E como! Vocês, que não a conheceram, nem fazem idéia. Do mesmo jeito que sua mãe – a minha vó e madrinha Ramira e demais avós, bisavós, tataravós, e minhas irmãs, tias... Então, chegamos onde eu queria: hoje, não temos mais sexo. De acordo com os costumes vigentes, pertencemos a “gêneros” – seja lá o que isto signifique. Chocante, não parece?

 

       E, por aí, vai. Os adeptos do “politicamente correto” tentam transformar radicalmente o nosso jeito de expressar. Colocam na nossa boca palavras que jamais, em tempo algum, pronunciamos. Mudam conceitos em nome da quebra dos preconceitos. Não nos dão folga em impor-nos cuidados redobrados e permanentes que nos obrigam a estar sempre monitorando o que vamos dizer ou escrever. Além de arrogantes, são de tal forma chatos, irritantes, e aborrecentes, que nos deixam depressivos e em constante estado de alerta.  

 

       Mas não é só no que se refere ao que eu disse acima, que a turma aficcionada pelo “politicamente correto” bagunçou as nossas cabeças. Eles se metem em tudo. Tudo sabem e sobre tudo impõem suas decisões. Assim, a geografia também foi objeto da sua sanha desmedida e insaciável. Me acompanhem: aprendi, desde pequenininho,  que ilha era “uma porção de terra cercada de água por todos os lados”. Diferenciava-se bastante de lago, por ser este “uma porção de água cercada de terra por todos os lados”. Assim as águas de um lago eram estanques; não corriam para nenhum lugar. Óbvio. Ululantemente óbvio, como me observaria Nelson Rodrigues se ainda andasse por aqui.   

 

       Nessa época, quando se falava de nossa Porto Alegre, ficava claro que ela situava-se “à margem esquerda do Rio Guaíba”, ou seja, do nosso Rio Guaíba, que, sendo um rio, corria entre suas margens – uma à esquerda e outra à direita do sentido de seu curso, depois de se formar pelos seus afluentes e desembocar na foz junto à Lagoa dos Patos. Ou seja, um rio que como qualquer outro rio – pelo menos os que existem num planeta chamado Terra, do qual já ouvi falar vagamente - tem uma origem, um curso e uma foz.

 

       Pois não é que, num passe de mágica, por obra de alguma Maga Patalógika tupiniquim o Rio Guaíba se transfor- mou em “lago” Guaíba? Assim, da noite para o dia. Num "plim!" Sempre detestei isto, desde que foi inventado e imposto como dogma que, se posto em dúvida, conduzirá o herege à fogueira. E não tenho dúvida em creditar tal aberração a alguém afinado com o “politicamente correto”. Afinal, eles não poupam nada no seu caminho. Tentam – e na maior parte das vezes, conseguem – destruir fatos, desconstruir realidades incontestáveis e devastar tudo, por onde passam. São a versão moderna e bem mais elaborada do histórico Átila, Rei dos Hunos, “o Flagelo de Deus”. Será que algum dia nos livraremos deles? Acho difícil, pois a cada dia encontram novos seguidores e terminam proliferando mais do que baratas em esgoto.

 

       Bem, não é tudo, ainda, o que me inspirou esta manhã de 30 de outubro. Mas acho que é um bom tema pra encerrar o mês, de forma condizente com a véspera do “Halloween” já que, pelo que tenho visto, “as bruxas estão soltas”. E as "bruxas" a quem me refiro, vocês, com certeza, já adivinharam quem são. Não adianta ir à sua caça. De qualquer modo, tentar exorcizá-las não custa nada, mesmo convicto de que o sucesso é improvável: "Vade retro!"

 

       E quanto ao nosso – ou pelo menos ao “meu” Rio Guaíba – vou deixar para falar nele em uma próxima inserção. Espero que tenham paciência para me aguardar.  

 

Vando

 

* * * 

 

Ilustração: Do site REINO DA FANTASIA

 

Do Meu Jardim para Nós Aqui

 

O BRIQUE DA REDENÇÃO  

- "O Declamador" - foto minha, feita em 28-Jun-2009 - 

       Mês passado eu não escrevi nada no nosso site. Mas não foi por falta de assunto. O tempo é que, realmente, esteve escasso. Para agravar ainda mais o problema, a inspiração andou em baixa. E como!...  

       Quando a gente tem muitas tarefas a desempenhar e compromissos urgentes a cumprir, chega a um momento em que as idéias se ofuscam e não mais se consegue sincronizá-las de modo conveniente. Daí ao colapso a distância é mínima. Principalmente depois dos vinte e cinco!!!... Coisas da idade. Um preço relativamente alto e que não desonera nem o ser mais privilegiado pelos deuses, como "um" que vocês conhecem.

       Na verdade, tenho escrito diversos textos concomitantemente mas nenhum me pareceu interessante para ser publicado. Nem pelo tema, em si, nem pela qualidade. Logo, a produção desandou. Resultou insípida e enfadonha, além de extremamente medíocre. Coisa bem de principiante. Nem em sonho eu as publicaria pois seria um atentado à inteligência - e à paciência - de vocês, que não merecem passar por tamanha provação.

       Hoje retomei a tarefa interrompida. Para minha surpresa, nada daquilo que eu vinha alinhavando foi aproveitado. O assunto que, de repente, me aflorou, foi o Brique da Redenção.

       Estive lá no domingo passado – um belíssimo dia de sol, de céu azul e clima que lembrou muito o verão. Aliás, raros são os domingos em que por lá não andarilho.

       A idéia de falar sobre o Brique surgiu há poucos instantes enquanto eu selecionava algumas fotos dele, que fiz, para publicar no meu blog "RETRATOS DO MEU JARDIM". Estava tentando redigir breves linhas que, invariavelmente, acompanham as fotografias que publico. Foi quando percebi que tinha diante de mim uma boa matéria e poderia redimir, em parte, minha ausência no mês de julho.

       Assim, decidi reportar-me ao evento mais concorrido do meu Parque predileto desde épocas imemoriais.

       Lembro que no início ele foi chamado de "Mercado das Pulgas". Com o passar do tempo, tornou-se Bric, ou Brique, forma reduzida de Bricabraque. A denominação é originada do francês bric-à-brac, que designa estabelecimento comercial que compra e vende objetos usados, antiguidades, ferro-velho, etc.  

       O Brique da Redenção tem tudo a ver com tal definição – e muito mais. Penso que constitui um mundo à parte onde reina a convivência harmônica e fraterna entre todo tipo de pessoas, sem distinção de idade, cor, religião, ideologia, nível social e intelectual, ou quaisquer outras diferenças a que se queira dar destaque.

       O Brique é, acima de tudo, uma festa. Festa perene, de cores, formas, atividades, conceitos, que a cada semana se reprisa mas não se repete jamais. É como uma peça de teatro que por mais tempo que permaneça em cartaz, tem sempre algum detalhe que a diferencia da encenação da véspera.

       Não há um domingo igual ao outro, no Brique. E não me refiro a questões meramente meteorológicas, como frio, calor, chuva ou sol. Ele é sempre diferente, embora conserve a sua semelhança tradicional e por isto consiga preservar intactas as suas características, ao mesmo tempo em que resguarda a sua atração.

       Tentar explicá-lo é tarefa impossível. Só há uma forma de compreendê-lo. Ou tentar. É visitando-o habitualmente. É fazendo dele o programa oficial do nosso domingo de porto-alegrense. É caminhando entre as suas antiguidades, bugigangas, artesanatos e quinquilharias, apreciando as obras de arte e o semblante das gentes que dele participam.

       O Brique não é para ser descrito. Nem entendido. Precisa ser sentido, ser vivido. Vivenciado.

       É o lugar de se voltar a ser criança. De encantar-se com os artistas de rua, com os palhaços, com os músicos, com as "estátuas vivas" e com as dezenas de performances para as quais ele serve de palco. Sua própria localização já é prenúncio de alegria e regozijo – o Parque da Redenção, onde a gente grande come pipoca e algodão-doce, tira fotos com o lambe-lambe, senta, deita e rola na grama, brinca com os filhos e com o cachorro e se lambuza de sorvete sem receio de ser ridículo ou inibição de se mostrar feliz.

       Este, para mim, é o Brique. O reduto mais porto-alegrense de Porto Alegre... e do mundo! Um ponto geográfico, uma referência ou um sonho, dependendo da perspectiva e do estado de espírito em que possamos nos encontrar em determinado momento. Ou, na pior das hipóteses, um belo assunto que me tirou de um aperto danado e me inspirou, levando-me a escrever esta crônica.  

Vando

Dia de jogar conversa fora


SOBRE LEITURAS E DESENCANTOS

 

- Foto minha -

       Alfácia do Sul. Faz algum tempo que tenho vontade de ir lá. No folheto da agência de viagens há um resumo histórico-geográfico-político-religioso-econômico-étnico-turístico-cultural bem interessante. Tudo bem resumido, como é de se esperar. Tem lindas paisagens. Seu povo é alegre, hospitaleiro e profundamente religioso. O país, uma ex-colônia, situa-se a sudeste da antiga Neurásia Ocidental e é um dos maiores exportadores de rapaduras e bananas-caturras do mundo. Mas sua economia é baseada na produção de alface – dizem que deliciosa! - de onde, segundo a lenda contada à exaustão pelos anciãos locais e recitada pela maior parte da população, se originou seu nome. Como, entre outras coisas, adoro alfaces, deixei-o listado como opção para uma próxima viagem. 

       Bem, mas não era este o tema que eu queria desenvolver. Pelo menos, acho que não. Ou não tanto, exatamente. O que eu queria dizer é novidade para vocês: sou um leitor compulsivo. Ah! Eu já disse isto antes? Puxa, que falta de memória! Tá na hora de apelar para aquele remédio... como é mesmo o nome?!... Esqueçam! Não nos amofinemos. Afinal, não custa repetir. Isto até ajuda a alinhavar as idéias e a não perder o fio da meada.

       Então, como eu ia dizendo, ou seja, repetindo: sou um leitor compulsivo. Obsessivo. Voraz. Leio tudo o que se apresenta diante dos meus olhos. Desde criança, quando saturava a paciência (hoje o jeito de dizer isto é diferente) das pessoas, lendo em voz alta os "reclames" que havia nos bondes. Como esta sextilha, da qual nunca mais esqueci, apesar da falta de memória que vez por outra ensaia uma inserção invasiva: "Veja, ilustre passageiro / o belo tipo, faceiro / que o senhor tem a seu lado. /E, no entanto, acredite: / Quase morreu de bronquite. / Salvou-o o Rhum Creosotado". Alguém mais lembra?

       Ler faz parte da minha rotina. Da minha vida. É obrigatório. É tão importante quanto respirar, torcer pelo Grêmio, ou enforcar o banho quando o termômetro se aproxima dos 2 graus Celsius.  

       Ultimamente não tenho comprado livros. Vez por outra leio as "orelhas" de algum quando chego nas livrarias. Ficaram muito caros e as economias domésticas andam em baixa. Creio que sou o único indivíduo que está (momentaneamente, pelo menos) em crise financeira. Marolinhas, nada mais. Coisa passageira. Espero. Almejo. Anseio. Aspiro. Para compensar, releio os remanescentes de minha biblioteca que já re-reli antes e que graças aos amigos que ainda não os pediram emprestado com a promessa solene de devolverem assim que terminasse a leitura, continuam a dar-me o prazer de sua companhia.   

       E quando não tenho livros para ler? Simples! Guias telefônicos são uma boa opção. Tenho um monte deles. Desde que o prefixo do meu telefone tinha só dois dígitos, ou melhor, números, ou melhor ainda, algarismos, pois ainda não estávamos na era digital. Nem de "celular" se cogitava, pois seria, com certeza, coisa de "ET". Depois passaram para três e hoje são quatro. Dígitos. Até qualquer dia.

       Com freqüência recorro às bulas de remédio. Guardo diversas, inclusive daqueles fármacos que já foram deletados pelo Ministério da Saúde por serem "milagrosos demais". Até gosto delas. Das bulas. Avalio cuidadosamente as interações medicamentosas, as posologias, contra-indicações e efeitos colaterais, sem esquecer das datas de validade. Afinal, é sempre bom estar prevenido pois nunca se sabe se e quando a gente vai precisar.  

       E rótulos de caixas de fósforos, então, vocês já leram? Além da quantidade de palitinhos que cada caixinha contém, traz a composição química do produto, como fósforo (é óbvio, Mané!), clorato de potássio, aglutinantes, o "CGC" do fabricante e uma série de recomendações de segurança, como manter fora do alcance das crianças, por exemplo, ou "conservar longe do fogo e do calor". Nunca é demais saber.  

       Mas o que me salva mesmo é o meu jornal diário. Bem antigamente era o Correio do Povo – o "velho", grandão, cheio de cadernos, inclusive o de Literatura, que valia por todo o resto. Mas eu lia outros, também, como o Diário de Notícias, a Folha da Tarde, a Folha da Manhã, a Folha Esportiva, o Jornal do Dia e até a mal-fadada Última Hora, que na década de sessenta deu lugar à Zero Hora. Depois do "recesso" do Correio do Povo (vocês conhecem a história), ele reapareceu, meio descaracterizado, sem a elegância aristocrática de antigamente mas, afinal, ainda o Correio do Povo. A partir daí é que veio a desgraça. Ele começou a encolher, a compactar e hoje vem no formato que todos conhecemos – chamam de "tablóide" – e que não lembra mais, nem de longe, seus velhos e gloriosos tempos. Apesar disto, nesta nova fase fui assinante dele por uns quatro ou cinco anos. Hoje assino O Sul, mas independente dele, leio - ou já li - (quase) todos os jornais, daqui e de fora, com os quais tenho me defrontado. E isto sem considerar os jornais de bairro que estou sempre catando nos "shoppings", restaurantes, salas de teatro, supermercados, farmácias, armazéns, "vendinhas" e quitandas ("de bairro", naturalmente) e todos os demais diários e hebdomadários e mensários existentes, onde quer que circulem ou se encontrem.

       Pois, dia desses, surpreendi-me com a notícia estampada em um deles, sob uma manchete enorme, em caixa-alta: "ESCÂNDALO NA ALFÁCIA DO SUL". Depois conferi em mais fontes, buscando uma notícia de consenso. A TV não divulgou nada. Nem o "Jornal Nacional", nem o Gugu ou o Faustão, menos ainda o Sílvio Santos, segundo o que me contaram. Mas foi um choque pra mim. Logo na Alfácia do Sul, o país dos meus sonhos atuais!  

       A notícia era quase lacônica. "Curta e grossa", como se diz comumente. Resumindo, relatava (ou "delatava"?) que um dos políticos mais antigos e influentes, tido como de "reputação ilibada" e notório saber jurídico tinha contas bancárias em diversos "paraísos fiscais" e promovia "festinhas" particulares com o dinheiro público. Investigado, terminou por serem revelados outros "desvios de conduta" de sua excelência, como a inclusão, na folha de pagamento do estado, de diversos parentes, e até não parentes, como a cozinheira de uma enteada e o caseiro de um concunhado. Incrível! Injustificável! O sujeito não era nem cunhado!...

        Foi grande a minha decepção. Verdadeiro desencanto. Depois disto, resolvi retardar a minha viagem para a Alfácia. Sine dia. Sem descartar a alternativa de cancelamento definitivo. Fico imaginando como estarão se sentido os habitantes locais com um escândalo desta magnitude. Coisa nunca vista algures nem alhures. Deve ser um horror viver num país assim, com pessoas de tal nível, vocês não acham? Deus me livre de conviver com esse tipo de gente.

       Mas, como dias de frio (e hoje o frio está glacial) são bons pra gente comer polenta com calabresa, bastante queijo e vinho, tomar café com bolinhos fritos e jogar conversa fora, vou ficando por aqui e tratar das duas primeiras opções, já que a última, parece, está concluída.

       Prá vocês, um abraço e os votos de um ótimo final de semana. Ah, e não esqueçam de programar com cuidado a próxima viagem. A escolha do roteiro precisa ser criteriosa, para não causar decepção.

Vando

* * *

Foto: Não é da Alfácia. Como eu não tinha nenhuma de lá, nem consegui encontrar na internet, resolvi colocar esta mesmo, só prá ilustrar. Na verdade, foi só uma brincadeirinha com vocês. Eu fiz no dia 24-Jun-2009, em Belém Novo, no final da tarde. Até que ficou bonitinha, concordam?

A DIFÍCIL VIDA DE UM BLOGUEIRO

 

CLEMÊNCIA!...

       Minha vida, em tempos mais recentes, tem se caracterizado pela quantidade de vezes em que preciso pedir perdão.

       Claro que me esforço bastante para manter em dia os meus compromissos, principalmente aqueles que envolvem pessoas – amigos, familiares e outras que, de algum modo, integram o meu círculo de convivência. Faço de tudo para não decepcioná-las, para não faltar com a palavra empenhada e com a missão assumida. E com algum esforço tenho conseguido.  Além do que, isto não é bem o caso.

       Preocupo-me é com relação ao nosso site, que nem sempre é possível manter "up-to-date". Tem sido difícil.  

       Ontem, caí na realidade e detectei um dos motivos que têm feito com que o meu tempo venha se tornando sempre mais escasso. De alguns meses para cá, tenho dedicado cada vez mais as minhas horas ociosas à web. Já ouviram falar nela? Pois bem. A cumplicidade é dela. De início, relutei muito antes de me deixar seduzir pelo seu fascínio. Aos poucos, porém, fui sucumbindo à tentação e hoje já não consigo mais livrar-me das atividades informáticas e internéticas. Elas passaram a fazer parte do meu cotidiano. E tudo começou há uns cinco ou seis anos, com o instrumento simples do e-mail.  

       Como a maior parte dos seres que atualmente habitam o Planeta, deixei de escrever as cartas das quais, agora, sinto falta.  

       Lembro como era gostoso ter sempre em estoque folhas especiais, envelopes e selos, aos quais se somavam cartões postais e, nas épocas de festas, os cartões natalinos, os de Páscoa, os de aniversário, a remessa das fotografias da família... A gente caprichava na caligrafia, contava tudo o que se passara desde a última carta, falava de saudade, mandava abraços afetuosos e comovidos.  Então, ia ao Correio, colocava a correspondência na caixa de coleta e ficava torcendo para que a entrega fosse feita com celeridade.

       Eram mensagens que, dependendo do local de destino, podiam demorar de alguns dias até semanas para chegar, conduzidas pelas mãos do velho carteiro - conhecido de todos e que a todos conhecia pelo nome.  

       O e-mail mandou tudo pro espaço. Literalmente. Agora basta digitar o endereço do destinatário, redigir a mensagem normalmente em linguagem lacônica - extremamente reduzida e compactada – e... pronto! Em um segundo ela está lá – seja o que for que "lá" signifique ou onde se localize: pode ser a Vila Floresta, o Passo das Tropas, São Thomé das Letras ou Kathmandu.  

       Depois, vieram as pesquisas, relegando os livros a plano secundário. Hoje, tudo está na web. Basta um clique e temos diante dos olhos a saga de Moisés na busca da Terra Prometida, as guerras napoleônicas, as obras de arte do Louvre, o homem de Neanderthal, a vida de Madre Tereza ou a poesia de Gibran Kahlil e de Mário Quintana. O mesmo vale para os originais de Shakespeare ou para os Manuscritos do Mar Morto.

       (Ainda assim, para mim, nada substitui o livro, de preferência as edições antigas, essas que vez por outra ando garimpando nos sebos. Lançamentos não me atraem muito. Livros novos lembram-me rosas de supermercado: têm beleza, mas não têm perfume. O que também me atrai nos livros antigos – assim como nos velhos jornais – é o cheiro. Às vezes sou levado a imaginar que em alguma de minhas vidas passadas - a mais recente delas, talvez -  eu tenha sido a reencarnação de uma simples traça (aquele bichinho da família dos Tineídeos e Tisanuros, sabem?), dessas que vivem dentro dos livros e deles se alimentam, o que faz dessas reminiscências um dos motivos pelos quais eu ainda adoro livros).  

       Mas... continuemos, para que eu não perca o fio da meada.

       Com as ferramentas de busca ("search tools" – que chique!), descobri sites magníficos (claro que o que tem de detritos bastante mal-cheirososos é inacreditável), os quais fui adicionando aos meus favoritos. Daí à vontade de criar alguma coisa parecida foi um passo. Logo aprendi que não precisava gastar dinheiro com a construção de uma página na internet: uma infinidade de provedores oferece, gratuitamente, hospedagem e disponibiliza "templates" prontinhos, bastando a gente escolher a configuração e o modelo mais conveniente e ingressar no mundo dos blogues. Com um pouco de paciência e muita perseverança, fui experimentando um, depois outro, apanhando daqui, me estressando dali, até que consegui! Agora eu já não era um mero internauta, mas um blogueiro de verdade. E dos bons. (Até hoje acho isto. Quanta modéstia!).  

       Foi quando fiz o meu primeiro blog. Vocês sabem qual foi ele. Este mesmo! O "NÓS AQUI", o site de nossa Família. A alegria que isto me proporcionou foi imensa.  

       Acontece que o "NÓS AQUI" foi o primeiro, mas não foi o único. Nem o último. Gradativamente fui fazendo outros. Todos temáticos. Cada um sobre um dos assuntos que me atraem. E fui gostando deles. E dedicando, a cada qual, um carinho especial. Hoje estou com seis (!) blogues. E haja tempo pra manter todos atualizados!... 

       Mas encontrei na internet o grande recurso de que eu necessitava para – pasmem! – reunir a nossa Família. Eu queria isto. Nós precisávamos disto. Em torno do "NÓS AQUI" e da ÁRVORE GENEALÓGICA a que tenho me dedicado, consegui agregar muitos de nós, pelo interesse comum que isto despertou.

       E mais recentemente estamos – "Nós Aqui" – em contato mais freqüente através do Orkut. 

       Aqui, então, é que entra a explicação do modo pelo qual iniciei esta crônica, ou seja, o meu sussurro melancólico e suplicante por clemência. E ela é dirigida especialmente a "NÓS AQUI", que sendo o meu primogênito, não tem merecido a mesma atenção que lhe dediquei no início. Tenho escrito pouco, nele. Outros "filhos" nasceram e precisam de cuidados que venho tentando repartir, o mais equilibradamente que posso, entre cada um.

       É o preço que estou pagando por ter me empolgado com a internet. Mesmo assim, acho que valeu a pena. Eu sempre quis me expressar de algum modo. Achava – e continuo convicto – que tinha alguma coisa a contar, histórias a serem reveladas, hobbies a compartilhar.  

       Com os meus blogues estou conseguindo isto. Acho, com alguma razão. E o compromisso que assumi – sem prever nem avaliar com a prudente antecedência que seria recomendável – é agora com as pessoas que os acessam. Assustei-me um pouco ao constatar que havia quem os lesse. Existiam pessoas – amigas, que se tornaram - que dão atenção ao que eu publico. Que apreciam as minhas fotos. Que deixam comentários. Que escrevem mensagens gratificantes, me apóiam e ajudam a divulgá-los. Poderei ficar em falta com elas? Não me parece que seria honesto se assim eu procedesse.

       Por tudo isto é que preciso que vocês me perdoem e continuem a prestigiar o nosso site. Não deixem de acessá-lo. Pode demorar um pouco, mas sempre haverá nele novidades que vocês sabem onde encontrar. E quando tiverem coisas interessantes, como crônicas, fotos, textos de bom nível, histórias pessoais ou da família, fiquem à vontade e me enviem para publicação. Ele não é meu. É nosso e foi criado com esta finalidade.

       A vida de blogueiro não é muito fácil, mas tem suas compensações. Vocês são testemunhas.

Vando

* * * 

- Links de MEUS OUTROS BLOGUES - 

"RETRATOS DO MEU JARDIM"

onde publico as fotos que gosto de fazer

 

"SAPATOS E CATAVENTOS"

A poesia de Mário Quintana, a partir de minha biblioteca

 

"MARIA, MÃE DE JESUS"

Meu blogue dedicado a Maria Santíssima

 

"ESPIRITISMO, DEUS, CRISTO, CARIDADE"

Onde incluo, entre outros temas, o Esperanto, a Língua Neutra Internacional, construída por Lázaro Ludovico Zamenhof. 

 

"VILA NOVA D'ITALIA"

Ainda em caráter experimental, onde tento reconstituir um pouco das origens deste pitoresco bairro de nossa Cidade. 

 

- Links da ÁRVORE GENEALÓGICA -

 

- Dos SILVEIRA, CAVALHEIRO, GONÇALVES e SANTOS

 

- Dos MACHADO e LIMA

Volltem mais vezes

 

PARA MATAR SAUDADES

       Em fevereiro, entre os dias 14 e 17, fiz, outra vez, uma das coisas que mais gosto. Fui "guia turístico". Ou cicerone. Já explico. Depois de alguns anos sem nos vermos, recebemos a visita de uma amiga a quem muito prezamos e que reside atualmente na Serra, mais precisamente em Garibaldi. Nossa amizade vem dos tempos saudosos em que residimos na pequena e hospitaleira Cidade de Santiago (1985 a 1987). Como passa rápido o tempo!... Já faz mais de vinte anos! 

 

       Em setembro de 2007 estivemos na casa dela. Com o marido e o filho, que agora está para completar 16 anos, exploramos a região de colonização italiana e saboreamos o melhor vinho do mundo e que se encontra no Vale dos Vinhedos. Percorremos, além de Garibaldi, todos os recantos de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves. Nessa ocasião visitamos cantinas e restaurantes espetaculares. Como anfitriões, eles são irrepreensíveis. Nos tempos de Santiago já era assim.

 

       Desta vez, nos visitaram apenas ela e o filho, pois o esposo tinha compromissos de trabalho. Apesar disto, a presença deles foi uma alegria indescritível para nós que matamos a saudade e colocamos em dia todas as novidades – até mesmo as bem antigas – que estavam sendo armazenadas para serem contadas na ocasião oportuna.

 

 

- Garibaldi, 2007 -

 

       Como fazemos com todas as pessoas "de fora" que nos visitam, aproveitamos – eu e a Nina - para sair com eles e mostrar-lhes a Cidade. A "minha" Cidade. O filho estava ansioso por conhecer os "shoppings", em particular o novo "Barra Shopping" há pouco inaugurado ali no Cristal. Claro que fomos lá. Para o menino foi um deslumbramento: jogos eletrônicos, lojas de informática, um lojão enorme só de instrumentos musicais (o André, este o nome do garoto, é apaixonado por música – e da melhor qualidade, registre-se – e toca violão e guitarra, além de adorar os Beatles, dos quais conhece toda a obra). Seus olhos brilhavam ao depararem-se com as guitarras cintilantes e os instrumentos de percussão expostos). Para as mulheres, outra oportunidade – que não perderam – de conhecer TODAS as lojas que vendem calçados, bolsas (ah! as bolsas! Não sei porque as mulheres gostam tanto de bolsas. E de sapatos. E de vestidos. E de jóias!....) e milhares de outras quinquilharias, bugigangas e "quetais". Estes últimos, obviamente, segundo o MEU ponto de vista e "no melhor sentido". Mas, convenhamos, que existem bem iguaizinhas em  qualquer outro shopping do mundo (e que elas já conhecem), mas lá, não sei porque, lhes parece ser "novidade". Mas… saudemos estas criaturas encantadoras e maravilhosas, sem as quais não saberíamos viver. Por outro lado, cicerones têm que passar por isto. Faz parte.

 

       Bom, mas eu estava falando – ou pelo menos a isto me propunha – dos passeios pela Cidade. Assim, prossigo. Também levei-os para conhecer os lugares aos quais todo o turista é conduzido quando vem a Porto Alegre. Estivemos na Praça da Matriz, onde conheceram a Catedral Metropolitana, o Palácio do Governo, a Assembléia Legislativa, o Theatro São Pedro, o Palácio da Justica, o solar dos Câmara (ou dos Câmaras?)… Andamos pela Duque de Caxias, passando pelo Museu Júlio de Castilhos e pelo Viaduto Otávio Rocha. Passeamos pela Rua da Praia, junto aos Quartéis do Exército e da Brigada Militar, a Igreja das Dores, a Casa de Cultura Mário Quintana. Fomos até o Museu de Artes Ado Malagoli (o MARGS), o Memorial do RS, o Santander Cultural. Apresentei-lhes a Prefeitura Municipal, o Mercado Público, a novíssima e espetacular esplanada junto à Estação Central do TrensUrb. Enfim, fizemos um roteiro completo pelo centro histórico e por uma infinidade de outros lugares que normalmente incluo mesmo nos meus passeios habituais. 

 

       Foram três dias magníficos, em todos os sentidos. Para comemorar, na noite anterior ao encerramento da visita fomos ao Pedrini, alí na Venâncio Aires, degustar a famosa "pizza de panela". É coisa divina, que recomendamos a todas as pessoas de paladar refinado e que, naturalmente, apreciem pizzas.

 

Usina do Gasômetro, fevereiro de 2009

 

       Deixei de propósito, para mencionar aqui no final, um lugar aonde também os levei e que, para minha surpresa, foi o mais comentado por eles e o que mais impressionados os deixou pela sua monumentalidade: a Usina do Gasômetro, que está completando "80 Anos de História". (Sobre a Usina, estou preparando um resumo que pretendo publicar ainda neste mês, dentro da série "Meu Tema Preferido". Aguardem, que logo ele vai sair aqui no "Nós Aqui").

 

       Pois era isto. Gostamos muito da visita. É sempre bom rever e receber amigos, particularmente quando são pessoas especiais e às quais a gente considera como fazendo parte de nossa família, como é o caso da Fátima, do Ademar (que desta vez não veio) e do André. Deles, já se sente saudade no momento mesmo de irem embora.

 

       Mas eles voltam. Com certeza. Ou nós, daqui a pouco, vamos lá, de novo, e certamente seremos recebidos com a sua tradicional hospitalidade, fidalguia e o carinho que temos reciprocamente.

 

        Vando 

 

 

Voltamos!...

 

RECOMEÇO

       Hoje, neste final do mês de janeiro, o primeiro de 2009, consegui, finalmente, um tempo para me dedicar de novo ao nosso "blog da Família" que depois de dezembro do "ano passado" estava inativo.

 

      Tivemos um final de ano repleto de compromissos e na transição para o ano novo pouca coisa mudou no ritmo que, até então, vínhamos mantendo. A gente cansa, sabem? Queremos "abraçar o mundo", mas conforme o tempo passa vamos nos dando conta de que os nossos braços vão encolhendo e o mundo vai aumentando a sua circunferência.

 

      Já na primeira semana de janeiro, abri o nosso site uma porção de vezes com a intenção de atualizá-lo. Mas... "cadê" inspiração e preparo físico para a tarefa? De um momento para outro, percebi que a fonte secou. Foi quando caí na realidade e decidimos, eu e a Nina, "dar um tempo". Jogar a toalha. Tirar o time de campo. Precisávamos, urgentemente, de "férias", nem que fosse de uma semana, de dez dias, algo assim.

 

      Dinheiro não era problema. Seria, na verdade, uma parte da solução... mas onde ele estava? Continuava tão curto como sempre foi. Como já nos habituamos a isto - e nem sei se saberíamos nos administrar de outra forma - fizemos um balanço nos cartões de crédito. Descobrimos que alguns deles ainda não tinham estourado e foi o que pesou na decisão final: arrumamos as mochilas, abastecemos o carro (com o "card", obviamente) e pegamos a estrada. Vamos em frente! Depois a gente vê como é que fica.

 

     Pois sabem que valeu a pena? Foi glorioso! Andamos "pelai" quase duas semanas. Visitamos lugares aos quais ainda não tínhamos ido. Retornamos a outros que já faziam parte de nossos roteiros mais antigos. Até a chuva que vez por outra nos pegou no caminho foi gostosa. O carro ficou numa faceirice, devorando as estradas, que vocês precisavam ter visto. Parecia um cachorrinho. Me fez lembrar do Charles. Grande parte de vocês não conhece o Charles, mas ele é o "beagle" mais inteligente que já transitou pelo planeta. É o pupilo do Sandro e da Ine. O "xodó do vô". O totó mais viajado do mundo.

 

     Mas, voltando ao carro, vocês ficariam encantados se o vissem junto com os outros, superando sua própria performance, curtindo a paisagem, deliciando-se nas retas e exibindo, nas curvas, toda a sua graça, estabilidade  e elegância. Nem os postos de pedágio conseguiram afetar o seu humor. Coitadinho! Ele também estava precisando disto. Ultimamente só andava pela cidade, parando em dezenas de sinais, transitando por ruas acanhadas, defendendo-se dos "flanelinhas" ou só servindo para ir à feira e ao super-mercado, voltando pra casa cheio de embutidos, batatas e enlatados. Pra ele, principalmente, foi o grito de liberdade. Liberdade! Liberdade!...  

 

     Bem, não vou contar tudo. Mesmo porque nem tudo é publicável pois há "segredos de estado" que requerem a classificação de "top secret". Afinal, um pouco de privacidade também "faz parte". O fato é que estamos de volta, renovados, refrigerados, dispostos para enfrentar as marolinhas de mais um ano que, tudo indica, vai precisar de muito fôlego.  

 

     E estar de volta é um motivo de alegria. Confesso que já estávamos sentindo falta de algumas coisas. A nossa casa, por exemplo. Por mais que nos utilizemos das mordomias dos hotéis e do conforto que eles nos oferecem, chega um momento em que o banzo nos ataca. É quando sentimos a ausência da nossa cama, do nosso travesseiro – ah, o nosso travesseiro! - do nosso banheiro e até do nosso computador; quando lembramos o cheirinho do café da manhã, que só ele tem, novinho, feito na nossa cozinha; é quando nos dá vontade de andar descalços e de sentar à mesa sem camisa ou quando queremos ler o "nosso" jornal e não o encontramos nas bancas da cidade onde estamos. Aí a melancolia é indescritível.

 

     E a saudade de vocês, então? Puxa! Neste ponto, foi duro! Mas já passou. 

 

     Se tudo correr bem – e os cartões de crédito não estiverem bloqueados – no ano que vem vocês serão nossos convidados. Vamos em comitiva. Em bando. Como andorinhas em migração. Já imaginaram o que vamos aprontar, todos juntos? Bem... isto é tema para a próxima crônica. É só ter um pouco de paciência. 

 

Vando

 

Garimpando

 

VEJAM O QUE EU ENCONTREI

 

       Pesquisando na internet, ainda sem muita convicção sobre o que eu estava realmente buscando, comecei a navegar a esmo. De repente um título, uma frase, uma referência - não lembro bem - me chamou a atenção. Fui atrás do site indicado e lá encontrei, entre uma grande quantidade de textos, este, maravilhoso, que guardei nos meus arquivos e agora repasso a vocês.  

 

       O autor não está identificado, mas se vocês quiserem conferir, dêem uma passada pelo site de onde o tirei: maikol.com ( http://www.maikol.com.br/ ). Confesso que depois de ler e reler muitas vezes, fiquei imaginando se ele não deveria ter sido escrito por mim. Cabe direitinho nas minhas memórias e se o tivesse que redigir, com certeza faria exatamente como ele o foi. Mas... perdi a oportunidade! Então, sou grato ao "autor desconhecido" e estou certo de que ele não vai se sentir lesado em seus direitos autorais.

 

       Não pretendi, de imediato, publicá-lo em "Nós Aqui". Guardei-o para incluir no nosso Caderno de "Lembrança do 5º Encontro da Família", que está em fase final de edição. Hoje, finalmente, ao constatar que o Caderno está praticamente definido e não haveria como colocar nele o texto, decidi transcrevê-lo. Tomei a liberdade de corrigir algumas pequenas incorreções e fazer pequeninas adaptações que confrontadas com o original serão (quase) imperceptíveis, pois não alterei em nada o conteúdo.

 

       Vocês, contemporâneos do período em questão, vão curtir, sentindo um gostinho de saudade. Os mais jovens, que não viveram esse tempo, talvez não o entendam em profundidade, mas acredito que também vão gostar. Leiam e depois me digam: 

 

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- AOS NASCIDOS ENTRE 1940 E 1970 -

 

 

- Foto: "Terra Brasileira" -

 

   

       "Isto é para nós, nascidos entre 1940 e 1970, remanescentes da idade de ouro. Se você não nasceu nestas épocas - mas antes ou depois - não importa: leia e sinta a diferença!

 

       Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em vidros de remédios, portas ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos carona. Bebíamos água direto da mangueira e nos riachos, não da garrafa ou em copos descartáveis.


       Gastávamos horas construindo nossos carrinhos de rolimã para descer ladeira abaixo e só então descobríamos ter esquecido dos freios. (Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema).

 

       Saíamos de casa pela manhã e brincávamos o dia inteiro, só voltando quando escurecia lá fora. Ninguém podia nos localizar. Não havia telefone celular. Nós quebramos ossos e dentes e não havia nenhuma tragédia nisso. Eram simples acidentes. Ninguém para culpar, só a nós mesmos.

 

       Tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto. A amizade continuava a mesma...

 

       Nós comemos doces e bebemos refrigerantes, mas não éramos obesos. Estávamos sempre ao ar livre, correndo e brincando. Compartilhamos garrafas de refrigerante, merenda no colégio e ninguém morreu por causa disso.

 

       Não tivemos Playstations, Nintendo 64, vídeo games, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, celular, computadores ou Internet. Nós tivemos amigos. Saíamos e os encontrávamos. Íamos de bicicleta ou caminhávamos até a casa deles e batíamos à porta. Imagine tal coisa! Sem pedir permissão aos pais... Por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável! Como fizemos isso?

 

       Nós corremos, brincamos e inventamos jogos com varas e bolas improvisadas, apanhamos do chão e comemos frutas caídas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca passamos mal, ou tivemos dor-de-barriga para sempre, ou uma contaminação fatal!

 

      Nos jogos da escola, nem todo mundo fazia parte do time. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a frustração... Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano... Que horror ! Não inventavam testes extras nem aprovação automática.

 

     Éramos responsáveis por nossas ações e arcávamos com as conseqüências. Não havia ninguém que pudesse resolver por nós. A idéia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Nossos pais protegiam mais as leis do que a nós! Imagine!

 

     Nossa geração produziu alguns dos melhores enfrentadores de risco, negociadores de soluções, criadores e inventores! Os últimos 50 anos foram uma explosão descomunal de inovações e novas idéias. Foi o esplendor da criatividade humana... Foi a verdadeira Renascença da humanidade! Tivemos liberdade, fracassos, sucessos e responsabilidades, e aprendemos a lidar com tudo isso... a VIVER, enfim!

 

     Se você é um de nós, parabéns! Conte isto para outros que não tiveram a sorte de crescer como crianças..."

 

* * *

 

     O que acharam? Eu não tinha razão?

 

Vando

Falta pouco...

 

JÁ É QUASE PRIMAVERA 

       O dia ontem estava lindo. Meio frio, é verdade, mas de céu limpo, muito azul e com um sol como há muito não acontecia. Aproveitei e fui passear no parque. No Parque Marinha do Brasil. Nem sei mais quanto tempo fazia que eu não ia lá. Pois ontem eu fui. E tirei fotografias – das árvores, do lago, da paisagem ao redor. Caminhei pela grama, percorri algumas trilhas, e se tivesse o dom da poesia, certamente teria escrito alguns versos “bem bonitos” saudando a Primavera que já desponta logo ali.

 

 

- Uma das fotos que eu fiz (*) -

 

       Este inverno que ainda tenta resistir nos estertores de seus últimos dias foi terrível. Para mim, pelo menos. Detesto frio. Tenho ojeriza por chuva, umidade, dias nublados. E ainda encontro quem me diga, com a maior cara de pau: “Eu adoro inverno”. E justifica: “No inverno a gente sente mais disposição” – e outras baboseiras do gênero. Quando me dizem isto, apenas esboço um sorriso meio imbecil, só para não ser demasiado descortês. Mesmo assim, não resisto à tentação de responder: “Se você adora inverno, pode ficar com a minha parte. Não faço a menor questão dela”. 

 

       Pois ontem, meu moral começou a se elevar. Vislumbrei novos dias, divertidos, embebidos em mil colorações e ensolarados, chegando perto. Dobrando a esquina. Claro que gosto mesmo é do Verão, com muito calor, um chopinho bem gelado acompanhado de uns bolinhos de bacalhau, como os que tem num boteco aqui em Ipanema, de frente para o Guaíba e onde se ouve excelente música .  

 

       Mas a Primavera já está de bom tamanho. Afinal, não se pode exigir que as coisas sejam exatamente como se quer. Depois, aos poucos, em doses meio homeopáticas, a expectativa é maior e o resultado final costuma ser apoteótico, de modo que vale a pena deixar o tempo andar no seu tempo e aguardar o momento preciso. 

 

       Setembro é o início do final do ano. É o primeiro mês dos últimos quatro. Não sei porque o meu desejo para que o ano termine é sempre tão grande. Talvez seja um pouco de decepção, pois cada vez que ele começa, elaboro mil projeções de que “este ano, sim, tudo vai ser ótimo”. No entanto, passados os primeiros dias, decorridas as primeiras semanas, vou descobrindo que tudo continua exatamente igual, apesar do meu esforço para concretizar certos objetivos e, aí, bate a saudade. “O ano passado é que foi bom!” – costumo capitular, numa espécie de justificativa para a minha própria incompetência.

 

       Como somos inconformados, não é mesmo? A vida é assim desde que o mundo é mundo. Ansiamos mudá-la, moldá-la às nossas próprias necessidades – estas, quase sempre, imaginárias, portanto irreais. O problema é que esbarramos em nossas fragilidades, tropeçamos, caímos muitas vezes e levantamos menos do que devíamos. Mas... tudo bem!... Tais divagações não vão me conduzir a nada que valha a pena. São só um exercício intelectual abstrato a que me submeti nem sei por qual motivo.

 

       O importante é a rosa – ou melhor, a Primavera. (Qual será o mais importante – a Primavera ou a rosa !?...) E depois o Verão. E mais adiante, de novo, o Outono, o Inverno... e a Vida, que se oferece a nós abundante, plena, com suas propostas, alternativas e surpresas que nos obrigam a ter a cada novo dia um jogo de cintura diferente, apropriado aos novos desafios colocados diante de nós por circunstâncias que não conseguimos prever. 

 

       Assim sendo, que venha a Primavera!  E logo. 

 

Vando 

 

 (*) Se quiserem ver outras visitem o meu blog "RETRATOS DO MEU JARDIM".

 

Assunto para uma emergência

 

DIVAGAÇÕES 

 

 

       Agosto está terminando. Poucas pessoas gostam dele. Na concepção de muitos, é um mês azarado, propício a coisas desagradáveis e causador de desgostos.

 

       Para mim, não passa de um mês comum, apesar de sua instabilidade climática quando a qualquer hora do dia – ou da noite - pode estar fazendo um calor danado, ou ser de um terrível frio polar ou despejando chuvas torrenciais que nos deixam mais deprimidos do que quando está, apenas, nebuloso e sombrio.  

 

       Afora estas características meteorológicas, agosto não me traz grandes contrariedades, já que elas, quando acontecem, já chegam diluídas pela passagem nos meses antecedentes, tornando-se tão insignificantes que quase não dá para contabilizar.

 

       De qualquer forma, logo será setembro, florido, cheirando a primavera e, este sim, de senso comum, um mês alegre, colorido e cheio de esperanças que se renovam a cada momento. A partir dele já se pode projetar o final do ano. Começamos a nos programar para as festas natalinas, o “réveillon”, as férias, a viagem há tanto sonhada, ou, para aqueles que as têm, o refúgio na casa da praia que esteve fechada desde março e que precisa, agora, de uma limpeza geral.  

 

       Mas... por que é que estou escrevendo isto?!... Engraçado!... Neste mês de agosto não publiquei nada no nosso Space. Talvez vocês não acreditem, mas não tive tempo para me dedicar a ele. Nem ao outro blog que tenho, “RETRATOS DO MEU JARDIM”, onde publico minhas fotos. Na verdade, nem fotos consegui fazer. Estão rindo? É verdade! Não tive tempo, mesmo.

 

       Neste mês foram tantas as frentes em que precisei atuar, tantos os flancos que fui obrigado a cobrir, que quando vi “já era hoje”. Aí bateu o pânico. Eu tinha que escrever alguma coisa. O “Nós Aqui” reclamava a minha atenção. Bradava a todos os pontos cardiais e colaterais que estava sentindo a minha ausência. Que se sentia abandonado. Rejeitado.

 

       Hoje, ao abrir a página, olhei-o, pesaroso, com um profundo sentimento de culpa. Cheguei a pensar na retomada de “Meu Tema Preferido”, mas não ia dar tempo para redigi-lo. São tantos os temas que tenho guardados, que não conseguiria escolher um que me salvasse da emergência. Então comecei a escrever, acreditando que ia sair alguma coisa de interesse geral. Parece que não deu. Mas como não tem outro jeito, vai assim mesmo, com o meu pedido antecipado de mil perdões, pois vocês mereciam algo bem melhor. Fica para a outra vez.

 

       Em vista do que expuz, acho que vou reconsiderar os meus conceitos sobre o mês de agosto. Claro que não chegarei ao extremo de catalogá-lo como um mês de azar ou de maus presságios. Longe disto. Apesar das minhas restrições climáticas eu gosto dele, principalmente por ser o mês em que presto continência ao “meu guru” – o insigne Marechal Luís de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Mas passarei a ter mais cuidado com a minha agenda para o próximo agosto, para que não venha a ser tão atribulado. E prometo que tudo farei para administrar mais racionalmente o meu tempo.

 

       Assim, para este agosto de 2008 que entra em seus dias derradeiros, desejo um final rápido, feliz e indolor, agradecendo-lhe pelas prendas com que me obsequiou e registrando o meu protesto pelos seus escassos trinta e um dias. Ele devia ter sido mais generoso comigo, colocando-me à disposição mais uns vinte, ou trinta, pois os que me reservou foram, definitivamente, insuficientes. 
 
      Talvez ele possa deixar alguma saudade. Mas no momento só lhe desejo que descanse em paz!
 
Vando 
 

Notas Musicais

- PALAVRAS E MÚSICA -

Sempre gostei de palavras cruzadas. Penso que é um passatempo agradável, que nos ajuda a encontrar vocábulos até então desconhecidos, neologismos ainda pouco difundidos, anacronismos que muitas vezes nos salvam de situações inusitadas ou atribuir a outros, significados dos quais nem fazíamos idéia. Para o "cruzadista", além de um lápis "número dois" e uma borracha macia, a ferramenta mais importante que precisa ter sempre à mão é um dicionário. Reunidos estes três "equipamentos", já estamos em condições de partir para o exercício de nosso entretenimento.

Fazendo cruzadas aprendi, desde os velhos tempos de adolescência, que "o antigo nome da nota dó" era ut. Não sei por que nunca questionei isto nem tive despertado o interesse em saber a origem dos nomes das outras notas – ré, mi, fá, sol, lá, si – o que até certo ponto me surpreende, pois sou um garimpeiro insaciável quando se trata de palavras.

Hoje, como de praxe, devorando avidamente a página que Márcio Cotrim ("O Berço da Palavra") publica no caderno Magazine no Jornal O Sul (2-Out-2006) leio o seguinte, a cuja transcrição rogo ao autor permissão para fazer algumas adaptações:  

"Fá, sol, lá, si, eis as notas musicais. Por assim dizer, os insumos básicos para a composição de qualquer melodia.

Seu berço nos leva ao monge beneditino Guido D’Arezzo, que viveu de 995 a 1050. Mestre do coro da Catedral de Arezzo, na Itália, ele deu nome às primeiras seis notas. Para isso, utilizou as sílabas iniciais dos versos de um hino latino a São João Batista que dizia assim: "Ut queant laxis/ Resonare fibris/ Mira gestorum/ Famuli tuorum/ Solve polluti/ Labii ratum/ Sancte Iohannes." Traduzindo para o Português: "Ó São João, purifica os nossos lábios maculados a fim de que possamos celebrar, plenamente, os teus feitos maravilhosos".

A história desse hino é curiosa. Seu autor, o italiano Paolo Diacono, depois de pegar um bruto resfriado e ficar afônico, implorou a São João que lhe fizesse voltar a voz, e o pedido virou hino!

Os nomes das notas mantiveram sua forma primitiva até o século 17, quando foi acrescentada a sétima nota, si, pela junção das iniciais de Sancte Iohannes. No século 18, a primeira mudou de ut para , mais sonora para ser cantada."

Assim, sem nenhum esforço que mereça elogios, terminei descobrindo algo que negligenciei através dos anos, e que, cultura inútil ou não, pode contribuir para que nos deliciemos numa leitura branda e, num momento oportuno, nos tire de um aperto na roda de amigos.

Agora, peço licença para terminar, pois preciso, urgentemente, resolver algumas palavras-cruzadas.

Vando

Para todos os meus grandes amigos

- UMA HISTÓRIA BONITA - 

Um dia, quando eu era calouro na escola, vi um garoto de minha sala caminhando para casa depois da aula. Seu nome era Kyle. Parecia que ele estava carregando todos os seus livros. Eu pensei: "Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa sexta-feira? Ele deve ser mesmo um C.D.F. !!!"

O meu final de semana estava planejado (festas e um jogo de futebol com meus amigos no sábado à tarde), então dei de ombros e segui o meu caminho.

Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotos correndo em direção a Kyle. Eles o atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços, empurrando-o de forma que ele caiu no chão. Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns metros de onde ele estava. Kyle ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza em seus olhos. Meu coração penalizou-se! Corri até o colega, enquanto ele engatinhava procurando seus óculos. Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os óculos, disse: "Aqueles caras são uns idiotas! Eles realmente deviam arrumar uma vida própria".

Kyle olhou-me nos olhos e disse, "Ei, obrigado"! Havia um grande sorriso em sua face.

 

Foto: "Brothers" - Iren Nagy (c) 2005

Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão. Eu o ajudei a apanhar os livros e perguntei onde morava. Por coincidência ele morava perto da minha casa, mas não havíamos nos visto antes porque ele freqüentava uma escola particular.

Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei seus livros. Ele se revelou um garoto bem legal.

Perguntei se ele queria jogar futebol no Sábado, comigo e meus amigos. Ele disse que sim. Ficamos juntos por todo o final de semana e quanto mais eu o conhecia, mais gostava dele. Meus amigos pensavam da mesma forma.

Chegou a segunda-feira e lá estava o Kyle com aquela quantidade imensa de livros outra vez! Eu o parei e disse: "Diabos, rapaz, você vai ficar realmente musculoso carregando essa pilha de livros assim todos os dias!" Ele simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro anos seguintes, Kyle e eu nos tornamos mais amigos, mais unidos.

Quando estávamos nos formando, começamos a pensar em Faculdade. Kyle decidiu ir para Georgetown e eu para a Duke. Eu sabia que seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria problema. Ele seria médico e eu ia tentar uma bolsa escolar no time de futebol. Kyle era o orador oficial de nossa turma. Eu o provocava o tempo todo sobre ele ser um C.D.F. Ele teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super contente por não ser eu quem deveria subir no palanque e discursar.

No dia da Formatura Kyle estava ótimo. Era um daqueles caras que realmente se encontram durante a escola. Estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando óculos. Ele saía com mais garotas do que eu e todas as meninas o adoravam! Às vezes eu até ficava com inveja. Hoje era um daqueles dias.

Eu podia ver o quanto ele estava nervoso sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: "Ei, garotão, você vai se sair bem!". Ele olhou para mim com aquele olhar de gratidão, sorriu e disse: -"Valeu!"

Quando ele subiu no oratório, limpou a garganta e começou o discurso:

"A formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante estes anos duros. Nossos pais, professores, irmãos, talvez até um treinador... mas principalmente aos nossos amigos. Eu estou aqui para lhes dizer que ser um amigo, para alguém, é o melhor presente que você pode lhes dar. Vou contar-lhes uma história."

Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos.

Ele havia planejado se matar naquele final de semana! Contou a todos como havia esvaziado seu armário na escola, para que sua mãe não tivesse que fazer isso depois que ele morresse e estava levando todas as suas coisas para casa.

Ele olhou diretamente nos meus olhos e deu um pequeno sorriso.

"Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!"

Eu observava o nó na garganta de todos na platéia enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza. Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão. Até aquele momento eu jamais havia me dado conta da profundidade do sorriso que ele me deu naquele dia.

Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.

Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto, uns sobre o outro de alguma forma.

PROCURE O BEM NOS OUTROS!

  - ( Enviado pelo Marcelo Cardoso ) -

A Diferença

 

- Uma Oportunidade Fantástica -

 

Foto: Pair of shoes - Vincent Van Gogh, 1886

       Certa vez uma indústria de calçados de determinado País desenvolveu um projeto de exportação para um país muito pobre, de Continente distante. Em seguida, mandou dois de seus consultores a pontos diferentes daquele País para fazer as primeiras observações do potencial do futuro mercado.

       Passados alguns dias de pesquisas, um dos consultores enviou a seguinte mensagem para a direção da indústria: "Senhores, cancelem o projeto de exportação de sapatos para este País. Aqui ninguém usa sapatos".

       Sem saber dessa mensagem, alguns dias depois o segundo consultor mandou a sua, nestes termos: "Senhores, tripliquem o projeto da exportação, pois aqui ninguém usa sapatos, ainda”.  

       A mesma situação que era um tremendo obstáculo para um dos consultores apresentava-se como uma fantástica oportunidade para o outro. Da mesma forma, tudo na vida pode ser visto com enfoques e maneiras diferentes.

       A sabedoria popular traduz essa situação com a seguinte frase:

       "Os tristes acham que o vento geme; os alegres e cheios de espírito afirmam que ele canta."

       Aí está mais um alerta para verificarmos de que maneira estamos passando pela vida, sem esquecer que o mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como encaramos a vida faz toda a diferença.

       “Enquanto uns choram, outros vendem lenços”.  

Vando 

  * * *

(Adaptei de um texto de Nizan Guanaes, publicado no saite http://www.vertex.com.br)

 

Pensando bem...

- Antes que elas cresçam -

 

       Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes com alardeada arrogância. 

       Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maneira que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. 

       Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal? 

       A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. 

       E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça...Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes e cabelos longos, soltos. 

       Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com uniforme de sua geração. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas. 

       E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não se repitam. 

       E chega o período em que ficamos órfãos dos nossos filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.  Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.

       Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores.

       Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e refrigerantes, não lhes compramos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado. Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto. No princípio iam à casa da praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhos. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.

       Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.

       Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes". 

       Chega o momento em que só nos resta ficar de longe, torcendo e rezando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade. E que a conquistem do modo mais completo possível. O jeito é esperar. A qualquer momento eles podem nos dar netos. 

       O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. 

       Os netos são a última oportunidade que temos de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais ... antes que eles cresçam.     

Affonso Romano de Sant'Anna

http://www.vertex.com.br  

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Foto: Alexis Ballis (c) 2006

E por falar em...

... ANJOS 
        O menino voltou-se para a mãe e perguntou: 
       - Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum. 
       Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno 
disse que iria andar pelas estradas, até encontrar um anjo. 
       - É uma boa idéia, falou a mãe. Irei com você. 
       - Mas você anda muito devagar, argumentou o garoto. 
Você tem um pé aleijado. 
       A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia 
andar muito mais depressa do que ele pensava. 
       Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe 
mancando, seguindo atrás. De repente, uma carruagem 
apareceu na estrada. Majestosa, puxada por lindos 
cavalos brancos. Dentro dela, uma linda dama, envolta em  
veludos e sedas, com plumas brancas nos cabelos escuros. 
As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. 
       Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à 
senhora: 
       - Você é um anjo? 
       Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao 
cocheiro que chicoteou os cavalos e a carruagem 
sumiu na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino 
ficaram cheios de poeira. Ele esfregou  os olhos e tossiu 
bastante. Então, chegou sua mãe que limpou toda a 
poeira, com seu avental de algodão azul. 
       - Ela não era um anjo, não é, mamãe? 
       - Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar 
um, respondeu a mãe. 
       Mais adiante o menino encontrou-se com uma jovem 
belíssima, de vestido branco. Seus olhos eram estrelas 
azuis e ele lhe perguntou: 
       - Você é um anjo? 
       Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz: 
       - Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era 
um anjo. 
       Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu 
seu namorado chegando. Mais do que depressa, colocou 
o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não 
conseguiu se firmar bem nos pés e caiu. 
       - Olhe como você sujou meu vestido branco, seu 
monstrinho! - disse ela, enquanto corria ao encontro do 
seu amado. O menino ficou no chão, chorando, até que 
chegou sua mãe e lhe enxugou as lágrimas com seu 
avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, 
não era um anjo. 
       O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar 
cansado. 
       - Você me carrega? 
       - É claro, disse a mãe. Foi para isso que eu vim. 
       Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi 
mancando pelo caminho,  cantando a música que ele 
mais gostava. 
       Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou: 
       - Mãe, você não é um anjo? 
       A mãe sorriu e falou mansinho: 
       - Imagine! Nenhum anjo usaria um avental de algodão 
azul como o meu. 
* * * 
Fonte para Reflexão: 

Uma história fraterna

 

Construindo Pontes


Certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro.

Durante anos percorreram uma estreita, porém, comprida estrada que corria ao longo do rio para, ao final de cada dia, poderem atravessá-lo e desfrutarem um da companhia do outro. Apesar do cansaço, faziam-no com prazer, pois se amavam. Mas agora tudo havia mudado. O que começara com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio.

Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta. Ao abri-la, notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro em sua mão, que lhe disse: - Estou procurando por trabalho. Talvez você tenha um pequeno serviço aqui e ali. Posso ajudá-lo? - Sim! - disse o fazendeiro - Claro que tenho trabalho para você. Vê aquela fazenda além do riacho? É de meu vizinho, na realidade, meu irmão mais novo. Brigamos muito e não mais posso suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você me construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não mais precise vê-lo. Acho que entendo a situação - disse o carpinteiro. Mostre-me onde estão o martelo e os pregos que certamente farei um trabalho que lhe deixará satisfeito.

Como precisava ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu. O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando.

Já anoitecia quando terminou sua obra, ao mesmo tempo que o fazendeiro retornava. Porém, seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca! Em seu lugar estava uma ponte que ligava um lado do riacho ao outro. Era realmente um belo trabalho, mas, enfurecido, exclamou: - Você é muito insolente em construir esta ponte depois de tudo o que lhe contei! 

No entanto, as surpresas não haviam terminado. Ao erguer seus olhos para a ponte mais uma vez, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo em sua direção com os braços abertos. Logo, cada um dos irmãos permaneceu imóvel de seu lado do rio. Mas, de repente, num só impulso, correram um na direção do outro, abraçando-se e chorando no meio da ponte. Emocionados, viram o carpinteiro arrumando suas ferramentas e partindo.

- Não, espere!- disse o mais velho - Fique conosco mais alguns dias, tenho muitos outros projetos para você. O carpinteiro então lhe respondeu: - Adoraria ficar. Mas, tenho muitas outras pontes para construir.

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Esta historinha foi publicada no saite
"Minuto Poético"
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Foto:
"The bridge in autumn paints", de Dmitrii Dikih