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OS BONDES DE PORTO ALEGRE
(1) - Bondes DOM PEDRO II e GASÔMETRO, contornando a Praça XV, em frente ao Mercado Público (1957)
No início desta semana recebi um e-mail do Diego, falando sobre o álbum de fotos que ele criou na internet, onde resgata mais de 150 fotografias da Família Gonçalves Ferreira. Bonito! Pura beleza!
(2) - Bonde PETRÓPOLIS, trafegando pela Av. Protásio Alves (1957)
Mas não é propriamente sobre o blog do Diego que quero falar. Ele me serviu para tomar a decisão sobre este “meu tema preferido”, no lugar de outros.
(3) No final dos anos 1950, alguns bondes receberam pintura vermelha e branca, como este, da linha AUXILIADORA. Foram poucos, que logo voltaram à cor amarela, tradicional. Praça XV (1957)
Há dias eu já rabiscava alguma coisa referente à minha Porto Alegre antiga. Temas diversos, como praças, a Ponte da Azenha – que, nos últimos dias, fiquei sabendo, o nosso Prefeito decidiu restaurar, para a alegria de todos nós – e os bondes. O Diego, com o seu blog, direcionou, involuntariamente, a minha escolha, devido a uma das fotos que ele colocou no álbum: uma turma do Curso de Formação de Motorneiros da Companhia Carris. Lamentavelmente ele não tem a data precisa em que ela foi feita, mas tenho boas razões para estimar que foi no final dos anos 1950, talvez início de 1960, no máximo.
(4) - Linha DOM PEDRO II - Av. Benjamin Constant (1957)
Vocês sabem que sou um saudosista incorrigível. E uma das lembranças mais caras que conservo, e sempre me retorna, é a dos velhos bondes de nossa Cidade, plenos do bucolismo de uma “província” ainda grávida de humanidade e do romantismo repleto de poesia.
Não pretendo escrever história. Não é a minha função nem levo jeito pra isto. Mas não custa recordar que os bondes começaram a circular em Porto Alegre no ano de 1864. Eram, nessa época, simples veículos com tração animal - os “bondes a burro”, conforme as referências que, menino, eu ouvia da Vó Júlia. Depois, em 1872, foi fundada a “Companhia Carris de Ferro Porto-Alegrense” que em 4 de janeiro de 1873 deu início ao deslocamento dos bondes sobre trilhos, mas ainda com tração animal, que serviram o bairro (o "arrabalde", falava-se, também, em "arraial") do Menino Deus. A partir de 1893 foi criada uma outra empresa, a “Companhia de Carris Urbanos de Porto Alegre”. Em 1906, com a instalação das redes de energia elétrica na área urbana, essa duas empresas fundiram-se, dando origem à “Companhia Força e Luz Porto-Alegrense”. Surgem, então, projetos para a implantação dos bondes elétricos. Vieram os “Imperiais”, carros até bonitos e elegantes, com dois andares, em março de 1908. No ano de 1928 a empresa toma o nome de “Carris Porto-Alegrense” após ter como acionista majoritária a empresa norte-americana “Eletric Bond & Share”. Em 1960, finalmente, a “Carris” é encampada pela administração municipal.
Até o dia 8 de março de 1970, quando foram definitivamente desativados por força do “progresso”, os bondes foram o transporte urbano por excelência, servindo a todos os pontos da Cidade. Os bairros mais populosos tinham os seus terminais de linhas, como o Partenon, a Glória, Menino Deus, Teresópolis, IAPI, Petrópolis, Auxiliadora, Independência...
Havia pontos de transbordo (dizia-se baldeação) em que os passageiros de uma linha podiam descer e, com a mesma passagem, tomar o bonde para outro destino. Era o caso dos bondes que transitavam pela Av. Benjamin Constant (Floresta, Assis Brasil) e, no terminal da Av. São Pedro, as pessoas podiam transferir-se para o bonde São João que trafegava pelo bairro dos Navegantes. Os bondes que faziam essas linhas (São João e Navegantes), bem como os das circulares, do Centro (Duque, Gasômetro), eram do tipo que as pessoas apelidaram de “gaiola”. Eram carros pequenos, com o trem de rodagem bastante curto, situado sob o ponto central, que causavam um balanço constante durante os deslocamentos, advindo daí, possivelmente, o apelido.
(5) Linha TERESÓPOLIS. Bonde apelidado "gaiola". Não sei identificar o local exato da foto. (1957)
De bonde a gente ia ao “matiné” para ver os seriados de faroeste, ao jogo de futebol, ao Prado da Independência, ou visitar os parentes que moravam longe. Ia-se à missa aos domingos, à Redenção para brincar no parque de diversões, comer pipoca e tomar sorvete. Depois, quando a gente crescia, tomava o bonde para ir ao colégio, para trabalhar, ou simplesmente para “andar de bonde”, sem outro compromisso que, apenas, passear.
Era gostoso ficar de pé ao lado do motorneiro (era assim que se chamava o profissional que “pilotava” o bonde, já que o “condutor”, propriamente dito, era na verdade o cobrador, um homenzinho geralmente chato e implicante que não livrava ninguém de pagar a passagem). Ali, a gente acompanhava todo o itinerário e podia até sonhar que éramos nós mesmos que estávamos dirigindo o veículo. Havia, em cada bonde, uma espécie de “relógio” fixado na parede, que era nada mais nada menos do que um contador de passageiros. Ao chegar a um determinado número de pagantes, o “condutor” acionava diversas vezes uma alavanca – “tlec, tlec, tlec, tlec...” que registrava no tal “reloginho” quantas pessoas estavam viajando.
(6) - Bilhete de passagem. Este é válido até 1968.
Bons tempos! Bons tempos!...
Mário Quintana falava muito sobre os bondes que deveriam passar apenas pelas casas de nossas namoradas. Em seus poemas, muitas vezes o bonde era o mote. Penso que este é um dos últimos versos que ele escreveu, depois que os bondes deixaram em nós apenas a saudade:
"Acabaram-se os bondes amarelos...
A frase me saiu em decassílabo, viste?
E o metro clássico já faz adivinhar um soneto.
Ficou neste verso único.
E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental.
Aqui. Parado. Sonhando.
Quem sabe se, um dia..."
Pois é. Este é o “meu tema preferido”. Ele não estava, realmente, programado. Era só um projeto que eu pretendia pesquisar buscando dados registrados na história. Todavia, saiu assim, simplezinho e cheio de sentimento, como o tema, na verdade, requer. Tudo, graças a esta foto que o Diego colocou no seu blog e da qual, sem qualquer cerimônia, ou seja, com a maior "cara-de-pau", eu surrupiei para guardar no meu arquivo:
Foto da Escola de Motorneiros da Carris.
Acervo do Diego, Família Gonçalves Ferreira
Não são todos os que entenderão o motivo pelo qual eu escolhi esta foto. Previ isto. Optei por fazê-lo, mas não vou dizer a razão. Sei que alguns saberão porque.
Até o próximo.
Vando
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CRÉDITOS:
As fotos dos bondes e do bilhete de passagem (1 a 6) pertencem ao saite de Allen Morrison:
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- 20 DE SETEMBRO DE 2007 -
1835 - REVOLUÇÃO FARROUPILHA - 1845
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Negrinho do Pastoreio
Glaucus Saraiva
Negrinho do pastoreio! Aqui, em nome de Deus e dos tauras do Rio Grande, venho pedir-te rodeio.
Ressurjo da sepultura a destilar a amargura que não é do chimarrão... É o amargo da descrença na cuia da indiferença com a erva da ingratidão.
Com tapejara cautela, dos pingos de tua vela eu rastreio, despacito, gotas de luz misturadas com lágrimas derramadas em teu calvário, negrito!
Invoco a tua alma - oh, mártir da prepotência! porque de novo a querência mais uma vez se avassala... E com redobrado afinco reprisemos TRINTA E CINCO num desafio à senzala!
Monta teu baio de empelo; hoje serás o sinuelo desta larga campereada. Reportaremos ao vento os ecos de um juramento pelo amor a este rincão: "Arrancar a tradição da cova do esquecimento".
Leva tua alma andarilha no rastro que vou te dar... Rumbeia teu galopear à velha ponte da Azenha e ao chegar grita a senha: "Salve Vinte de Setembro"! E verás que a teu costado, quais tauras ressuscitados pelos toques de um clarim, surgirão guapos caudilhos e à testa, dois coronilhos, - Onofre e Gomes Jardim.
Campeia no litoral, por sobre a grimpa das ondas, a liberdade das rondas, que no atlântico portal jamais ecoaram debalde, e hás de sentir ilusões de que ainda vês os lanchões de Giuseppe Garibaldi!
Em Ponche verde te espera nesta cívica tapera o Canabarro imortal... Segue, no mesmo trajeto, e encontrarás Souza Netto de prontidão em Seival.
Vem Negrinho! Aqui te aguardo com os heróis de Rio Pardo, e da imortal Piratini - a República estupenda que hoje repousa na lenda deste rincão guarani.
E no final deste rodeio de proporção gigantesca, a plêiade quixotesca dos heróis quase esquecidos, há de gritar aos ouvidos deste povo indiferente que embaixo da cinza quente da passiva mansidão, vive em cada coração deste Rio Grande caudilho, o braseiro de espinilho do cerne da tradição.
E chasqueará novamente, além da nossa fronteira, a imagem desta bandeira que aos mastros foi renegada, mas que em épocas passadas, em defesa do Rio Grande, subiu mais alto que os Andes na ponta da lança nua.
E esses netos de charruas, que andam de fronte erguida, hão de mostrar para a vida que o Rio Grande não morreu. Que, quando Deus escolheu para a guerra Farroupilha o cenário da coxilha, já tinha premeditado que deste povo era o fado lutar pela liberdade, pela vida em igualdade, pelo bem e contra o mal.
E no lombo de um bagual, esfarrapado e sem luxo, perpetuou o gaúcho como farrapo imortal.
Agora vai, meu Negrinho... Dá um alce pra tordilha. Deus te guarde... Deus te salve! Se em meio à tua trilha te perguntarem meu nome, sou o primeiro farroupilha, - meu nome é Bento Gonçalves!
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- O TREZE NEM SEMPRE É UM NÚMERO DE AZAR -
Às vezes siginifica sucesso, boa aceitação, sorte. Muita sorte.
É o que vem acontecendo com o nosso Space.
No dia de hoje nossos registros informam que foram completados
13.000 (TREZE MIL) acessos à página da família "NÓS AQUI".
A página interna de estatísticas registra que esse número ocorreu
exatamente às 11 horas, 46 minutos e 39 segundos.
E a data é 13 de setembro de 2007.
TREZE MIL VEZES já fomos visitados, vistos, lidos e avaliados
por livespacistas e internautas de todo o Brasil e de algumas dezenas de outros países.
Isto é motivo para comemoração, mas também para reafirmarmos o nosso compromisso e a responsabilidade de continuar fazendo desta página
um PONTO DE ENCONTRO DA FAMÍLIA - da nossa família
e de todas as famílias e amigos que têm nos incentivado.
Somos gratos a cada um. Sem vocês, este Space não teria razão de existir.
Continuem nos acessando.
Tudo faremos para retribuir e continuar merecendo o carinho que nos dedicam.
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- INDEPENDÊNCIA DO BRASIL -
1822 - 7 de Setembro - 2007
"Independência ou Morte ", Pedro Américo, 1888 - óleo sobre tela
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ
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"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
de um povo heróico o brado retumbante.
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
brilhou no céu da Pátria nesse instante."
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"Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado E diga o verde-louro desta flâmula Paz no futuro e glória no passado."
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Do Hino Nacional Brasileiro
Letra de Joaquim Osório Duque Estrada e música de Francisco Manoel da Silva
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FRUTOS... ÀS VÉSPERAS DA PRIMAVERA!
No final de 2005, depois de trocar idéias com alguns membros da família, decidi criar este Space, que propuz seria o nosso “ponto de encontro” e serviria para nos unir e reunir “em e de qualquer lugar do mundo onde estivéssemos”.
Havíamos passado, pouco antes dessa época, pela “convalescença” resultante de uma série de pequenos percalços que vinham se abatendo sobre nós, principalmente a perda de pessoas queridas – avós, pais, irmãos, tios... Nunca tivemos ilusões de que viveríamos eternamente aqui neste Planeta Terra. Nossa consciência sempre nos assegurou que somos hóspedes temporários e que daqui a algum tempo cederemos compulsoriamente o lugar aos novos que vão chegando. Tal convicção atenua um pouco os pesares, mas, naturalmente, não os elimina. E mesmo tendo sobrevivido às dores decorrentes daqueles episódios, muitos saímos bastante machucados. Houve, além disto, desavenças, cisões, desarmonias que jamais havíamos imaginado possível entre nós. (Depois – e se isto serve de algum consolo – descobrimos que não somos os únicos a passar por isto).
Foi assim que decidi assumir a tarefa de dar “um basta” no status reinante e tentar, pelos meios que fossem disponíveis, reunir a nossa família, não somente aqueles que, nos últimos tempos tinham se afastado, mas, com prioridade, buscar os muitos que a Vida e o Tempo haviam extraviado, conduzidos que foram a outras plagas, forçados pelo destino a romperem com as suas raízes. Eram tantos!... Principalmente tios e primos que os mais novos não conheciam e nem sabiam de sua existência. Foi difícil, mas pouco a pouco conseguimos. Primeiro, criamos em 1994 o nosso “Encontro-Almoço” anual, que neste próximo final de ano já será o quarto. O próximo passo foi localizar os que haviam “desaparecido”. Resgatados alguns, faltavam, porém, outros com os quais nenhum tipo de contato era possível, de vez que completamente desconhecidos os seus paradeiros.
Então, em 2005, criei o nosso “Space” – "NÓS AQUI", O SAITE DA FAMÍLIA – que começou a servir de ponte através da qual os contatos foram sendo facilitados e se restabelecendo. Lentamente uns e outros foram se reencontrando. Mas... continuou faltando gente. E ainda faltará, por certo, durante algum tempo. Somos muitos e o mundo não é tão pequeno quanto gostaríamos que fosse.
Todavia, a colheita sempre dá bons resultados para quem semeia com carinho. Frutos podem ser colhidos em qualquer época do ano, mesmo naquela em que não se espera, como às vésperas da Primavera. E isto é real. Querem ver?
No dia 28 de agosto, terça-feira última, ao abrir o meu “outllook”, lá estava um e-mail muito especial que me levou à euforia e que, mesmo antes de responder ao remetente, repassei de imediato a todos os demais. Transcrevo o texto, sem alterar a mensagem, mas omito os nomes. Vocês, com certeza, saberão de quem se trata, principalmente ao olharem a foto que tenho arquivada há mais de quatro anos. Dizia o signatário:
“Olá, como vai ? Meu nome é (...), sou filho de (...) e (...). Achei seu contato neste link: http://nozaki.spaces.live.com. Moro em São Paulo há muito tempo e não tenho contato com minha família. Sei que são todos de Porto Alegre e região. Se você conhecer alguém gostaria muito de ter contato com eles. Abraços. Ado”
Pois é! A história deste primo é longa e por muitos anos vínhamos tentando localizá-lo. Mas foi ele quem nos localizou, pois procurava, também, há muito tempo, um meio de nos encontrar. Conta-nos que sem dispor de outro recurso ou fonte a que recorrer, decidiu buscar-nos na internet. No “Google” fez inúmeras consultas. Navegou por páginas e mais páginas que fizessem referência a um dos nomes de família e... nada! No entardecer dessa terça-feira, dia 28 de agosto, finalmente, ele achou o “NÓS AQUI” e... “bingo”!!! O resto vocês sabem.
Por que escrevi isto? Simplesmente para dizer que estou feliz. Feliz porque mais um de “Nós Aqui” retorna ao nosso convívio. Mais um... não! Na verdade são dez: o Ado, a esposa e dois filhos; a Irmã, Cristina, com o marido e também dois filhos. E a Tia Ruth e a Letícia, já que todos moram próximos e compõem o núcleo que estava nos faltando. E feliz, também, porque o nosso saite começou a mostrar que valeu a pena. Investir nele não foi um passatempo irrelevante. Sei que ele continuará sendo o nosso elo e que muitas alegrias terá a nos proporcionar. Apostei nele, desde o início. Acredito e confio nele. E se vocês fizerem o mesmo, estaremos sempre colhendo frutos saborosos bem antes, até, do que no tempo normal da colheita. Às vésperas da Primavera, por exemplo.
Vando
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