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    Do Meu Jardim para Nós Aqui

     

    O BRIQUE DA REDENÇÃO  

    - "O Declamador" - foto minha, feita em 28-Jun-2009 - 

           Mês passado eu não escrevi nada no nosso site. Mas não foi por falta de assunto. O tempo é que, realmente, esteve escasso. Para agravar ainda mais o problema, a inspiração andou em baixa. E como!...  

           Quando a gente tem muitas tarefas a desempenhar e compromissos urgentes a cumprir, chega a um momento em que as idéias se ofuscam e não mais se consegue sincronizá-las de modo conveniente. Daí ao colapso a distância é mínima. Principalmente depois dos vinte e cinco!!!... Coisas da idade. Um preço relativamente alto e que não desonera nem o ser mais privilegiado pelos deuses, como "um" que vocês conhecem.

           Na verdade, tenho escrito diversos textos concomitantemente mas nenhum me pareceu interessante para ser publicado. Nem pelo tema, em si, nem pela qualidade. Logo, a produção desandou. Resultou insípida e enfadonha, além de extremamente medíocre. Coisa bem de principiante. Nem em sonho eu as publicaria pois seria um atentado à inteligência - e à paciência - de vocês, que não merecem passar por tamanha provação.

           Hoje retomei a tarefa interrompida. Para minha surpresa, nada daquilo que eu vinha alinhavando foi aproveitado. O assunto que, de repente, me aflorou, foi o Brique da Redenção.

           Estive lá no domingo passado – um belíssimo dia de sol, de céu azul e clima que lembrou muito o verão. Aliás, raros são os domingos em que por lá não andarilho.

           A idéia de falar sobre o Brique surgiu há poucos instantes enquanto eu selecionava algumas fotos dele, que fiz, para publicar no meu blog "RETRATOS DO MEU JARDIM". Estava tentando redigir breves linhas que, invariavelmente, acompanham as fotografias que publico. Foi quando percebi que tinha diante de mim uma boa matéria e poderia redimir, em parte, minha ausência no mês de julho.

           Assim, decidi reportar-me ao evento mais concorrido do meu Parque predileto desde épocas imemoriais.

           Lembro que no início ele foi chamado de "Mercado das Pulgas". Com o passar do tempo, tornou-se Bric, ou Brique, forma reduzida de Bricabraque. A denominação é originada do francês bric-à-brac, que designa estabelecimento comercial que compra e vende objetos usados, antiguidades, ferro-velho, etc.  

           O Brique da Redenção tem tudo a ver com tal definição – e muito mais. Penso que constitui um mundo à parte onde reina a convivência harmônica e fraterna entre todo tipo de pessoas, sem distinção de idade, cor, religião, ideologia, nível social e intelectual, ou quaisquer outras diferenças a que se queira dar destaque.

           O Brique é, acima de tudo, uma festa. Festa perene, de cores, formas, atividades, conceitos, que a cada semana se reprisa mas não se repete jamais. É como uma peça de teatro que por mais tempo que permaneça em cartaz, tem sempre algum detalhe que a diferencia da encenação da véspera.

           Não há um domingo igual ao outro, no Brique. E não me refiro a questões meramente meteorológicas, como frio, calor, chuva ou sol. Ele é sempre diferente, embora conserve a sua semelhança tradicional e por isto consiga preservar intactas as suas características, ao mesmo tempo em que resguarda a sua atração.

           Tentar explicá-lo é tarefa impossível. Só há uma forma de compreendê-lo. Ou tentar. É visitando-o habitualmente. É fazendo dele o programa oficial do nosso domingo de porto-alegrense. É caminhando entre as suas antiguidades, bugigangas, artesanatos e quinquilharias, apreciando as obras de arte e o semblante das gentes que dele participam.

           O Brique não é para ser descrito. Nem entendido. Precisa ser sentido, ser vivido. Vivenciado.

           É o lugar de se voltar a ser criança. De encantar-se com os artistas de rua, com os palhaços, com os músicos, com as "estátuas vivas" e com as dezenas de performances para as quais ele serve de palco. Sua própria localização já é prenúncio de alegria e regozijo – o Parque da Redenção, onde a gente grande come pipoca e algodão-doce, tira fotos com o lambe-lambe, senta, deita e rola na grama, brinca com os filhos e com o cachorro e se lambuza de sorvete sem receio de ser ridículo ou inibição de se mostrar feliz.

           Este, para mim, é o Brique. O reduto mais porto-alegrense de Porto Alegre... e do mundo! Um ponto geográfico, uma referência ou um sonho, dependendo da perspectiva e do estado de espírito em que possamos nos encontrar em determinado momento. Ou, na pior das hipóteses, um belo assunto que me tirou de um aperto danado e me inspirou, levando-me a escrever esta crônica.  

    Vando