NÓS's profile"NÓS AQUI" - Os GONÇALVE...PhotosBlogListsMore Tools Help

Blog


    Almas Perfumadas

     

     

     

    - GARIMPEI E ENCONTREI UMA GEMA RARA -  

     

           Com freqüência volto às minhas anotações e arquivos, na expectativa de (re)encontrar alguma coisa que eu tenha escrito ou que pertençam a autores consagrados, pouco conhecidos ou desconhecidos (mas não anônimos). Busco textos de que gostei e que guardei para publicar numa ocasião propícia. Raríssimas são as vezes em que publico textos de “autores desconhecidos” ou sem nome e, eventualmente, quando o faço, menciono a fonte de onde se originou ou a pessoa da qual recebi. 

     

           Pois este belíssimo texto que publico a seguir, ficou longo tempo à espera de que eu o redescobrisse e no dia em que isto aconteceu deparei-me com a observação de “autor desconhecido”.

     

           Ora, tudo na vida tem uma origem. Um autor. É muito cômodo lançar-se mão de um poema, de uma crônica ou pensamento e “enfeitar” com ele o nosso blog sem dar ao autor o devido reconhecimento. Já sou blogueiro há mais de quatro anos e além dos meus blogs e spaces, costumo acessar todos os sites que posso, não só para aprender com eles como para avaliar em que nível estão os meus. Seria hipocrisia de minha parte negar que copio todos os textos e dados que me interessam, e guardo-os para utilizá-los quando a necessidade surgir. Todavia, plagiá-los ou assumir como de minha autoria matérias que não são minhas, é algo a que me nego terminantemente.

     

           Pois, voltando ao texto em referência, cujo título é “Almas Perfumadas”, o fato de não ter o nome do autor sempre me “encucou”. Naveguei por dezenas de sites, com a ajuda da ferramenta de busca onde escrevi o primeiro parágrafo, e em todos eles lá está o texto magnífico, sempre terminando com a abjeta menção de autor desconhecido. Já decidido a não mais publicá-lo, ainda fiz uma nova tentativa e eis que surge uma luz. Num desses sites encontro a transcrição um pouco modificada, à qual é acrescida, entre parênteses, esta informação: “(Com base no texto de A. Jácomo)”. Ora, viva! Não é tudo o que eu procurava, mas já é uma excelente pista. Afinal, não é um texto apócrifo. A partir daí foi só conservar na busca a frase que eu já havia escrito, colocar o ponto e virgula e em seguida acrescentar A. Jácomo. Bingo! Não deu outra. Lá está, na página “RELEITURAS” a misteriosa personagem que quase me tirou o sono. Seu nome? Ana Cláudia Saldanha Jácomo, jovem jornalista carioca, que tem no resumo de seu currículo, além de ser funcionária pública, a informação de que é “absolutamente enamorada, desde criança, pelo exercício de escrever”. Nele ainda consta, textualmente, que “O estilo predominante em seus textos é a prosa poética, a exemplo de “Almas Perfumadas”, que publicou, ainda inédito na internet, no Releituras, quando o site estava inaugurando o espaço para novos escritores. Na década de 90, participou com contos e crônicas das antologias "Hoje", "Agora" e "Já", resultantes do trabalho da Oficina Literária do poeta Cairo Trindade, a qual freqüentou por cerca de um ano. Em 2001, lançou um livro independente intitulado “Parto de Mim”, impresso na Fábrica de Livros da SENAI, com duas tiragens já esgotadas. Apaixonada por música, desde sempre, no finalzinho de 2006 começou também a percorrer o caminho da composição musical. Gosta de dizer que escrever é o seu trabalho mais lúdico. Seu jeito preferido de prece. Sua maneira predileta de levar o coração para pegar sol.”

     

           É isto, pessoal. Bastou um pouquinho de trabalho para trazer ao conhecimento de quem gosta de poesia, o nome de alguém que teve seu trabalho publicado e difundido sem merecer o crédito que lhe é devido.

     

           Resgatado este nome bonito – Ana Cláudia – dou por finda a minha empreitada e repasso a vocês, integralmente, como aparece no site, o que ela escreveu sobre “gente que tem cheiro de colo de Deus”.

     

           Leiam, comovam-se e repassem, não deixando nunca de mencionar o nome da autora que agora, através de “NÓS AQUI”, retoma o lugar de onde nunca poderia ter sido alijada.

     

    Vando.

     

    ..........................

     

     

    "Almas perfumadas"

     

    Ana Cláudia Saldanha Jácomo

    Jornlista, 1966

     

    (Para minha avó Edith)

     

     

     

    Foto ilustrativa: Gaijin Biker (Big Ben)

    - Do site WIKIPEDIA

     

     

     

    "Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

    Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

    Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

    Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

    Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor." 

     

    * * *

     

     Fonte: RELEITURAS

     

    O Blog de Ana Cláudia:

    "CHEIRO DE FLOR QUANDO RI"