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    Meu Tema Preferido - XXVI

     

    PORTO ALEGRE, 237 ANOS

           Nossa Cidade está em festa. Nós estamos felizes. Porto Alegre completa neste dia 26 de março de 2009, seus 237 anos. 

           Seus primórdios, todos conhecemos: a colonização do "Porto de Viamão" por Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcelos, português proveniente da Ilha da Madeira, recebendo a Carta de Sesmaria em 5 de novembro de 1740; a contratação, pelo governo português, de Feliciano Velho Oldenberg, em 1747, para intensificar o povoamento do Continente de São Pedro com a vinda dos imigrantes; a chegada dos casais açorianos em 1752 dando origem ao chamado "Porto dos Casais"... Então, a construção da primeira capela no arraial, dedicada ao padroeiro São Francisco de Assis. Depois, em 1772, a desapropriação da sesmaria que Jerônimo de Ornellas vendera em 1762 para Inácio Francisco sendo, no dia 26 de março, criada a freguesia de São Francisco do Porto dos Casais através de carta pastoral de Dom Antonio do Desterro, na época bispo do Rio de Janeiro, e da qual o Padre José Gomes de Faria tomou posse no dia 25 de setembro.

           Já em 1773, a nossa Capital recebe o nome de Nossa Senhora Madre de Deus de Porto Alegre, no dia 18 de janeiro. Pela primeira vez Porto Alegre passa a ser chamada de... Porto Alegre! Oficialmente. Definitivamente. 

           A partir daí muitas coisas mudaram. Veio o progresso. A Cidade cresceu em todos os sentidos. A população aumentou. Abriram-se estradas, caminhos, novas ruas e avenidas. Aos poucos veio o saneamento. Erigiram-se templos e igrejas, como a Igreja do Menino Deus e a Igreja do Rosário. Construíram-se a "entrada da Cidade" - Praça do Portão - e parques, como a Redenção, na antiga Várzea, e a Praça da Matriz que, logo, abrigou o belíssimo e inesquecível Auditório Araújo Viana. Fundaram-se o Colégio Militar, faculdades e escolas que se transformaram em Universidades. Vieram os bondes, a energia elétrica, a Usina do Gasômetro, o telégrafo. Houve exposições internacionais e Congresso Eucarístico. Edificaram-se "arranha-céus", pontes, como a da Azenha, e viadutos.  Vieram os mercados, cinemas, os teatros, os cafés, a vida urbana, noturna e mundana. Fundaram-se jornais, emissoras de rádio, grandes lojas e "magazines". Surgiu a "Galeria Chaves", o "footing" na Rua da Praia, a Casa Victor, o Bromberg, a Confeitaria Rocco, o cinema Castelo. Ah! também nasceram o Jóquei Club, a Sogipa, os clubes náuticos, o Grêmio Porto-Alegrense e o Sport Club Internacional, além do Cruzeiro, do Renner, do Nacional, do São José, do Força e Luz... E a "OSPA", Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, um orgulho para a Cidade. Nada, necessariamente, nesta ordem, mas cada uma a seu tempo, conforme as novas necessidades de uma metrópole que nascia e florescia a cada novo dia.   

           Hoje, não temos mais as grandes lojas e magazines, nem os tradicionais cafés (embora tenhamos muitos novos) que eram a delícia das damas elegantes e local de encontro dos cavalheiros de antanho. Em compensação, temos o "anexo" ao Theatro São Pedro, obra magnífica que se deve, principalmente, ao trabalho hercúleo de uma pequena e frágil mulher, chamada Eva Sopher. Dona Eva Sopher! Temos os "shoppings" - muitos - que são a delícia da juventude atual, repletos de diversões, comércio intenso de equipamentos de informática, jogos eletrônicos, dezenas de cinemas, boliches e uma parafernália de dar água na boca. Temos restaurantes monumentais, entre eles muitos remanescentes centenários dos "bons tempos". 

           Contamos com um aeroporto belíssimo que está sendo ampliado, linha de metrô que também está sendo ampliada e em vésperas de receber novo ramal, extensos e agradáveis parques públicos, marinas, imensas e bem iluminadas avenidas, a Catedral Metropolitana enfim concluída (ufa!) e uma infinidade de outras instituições, bens públicos e privados, logradouros, pontos para entretenimento, recursos de saúde (Hospitais de altíssimo nível, como o de Clínicas, O São Lucas, da PUC, o complexo da Santa Casa com uma dezena de clínicas e hospitais concentrados numa área comum, Mãe de Deus e muitos outros  que chega a ser difícil de relacionar).  

           Nosso transporte público urbano é de alta qualidade, feito por ônibus novos (frotas periodicamente renovadas, de empresas tradicionais reunidas em consórcios, além da empresa Carris Porto-Alegrense), mais de quatro mil táxis todos novos, com ar condicionado, telefone, rádio e dirigidos por motoristas bem treinados para o atendimento à população e aos turistas (na frota do Aeroporto, todos os taxistas falam pelo menos, também, espanhol e inglês).

          Claro que nem tudo é maravilhoso, deslumbrante, perfeito, irretocável, como pode parecer quando menciono o que temos de bom. Seria uma mentira fazer tal afirmação, pois temos também muitas mazelas. E quantas!... Há ainda pobreza - e muitos pobres, indigentes, mesmo. Há muitos problemas sociais graves: droga, prostituição, vandalismo, desrespeito aos bens públicos, crianças sem escola, doentes em filas aguardando atendimento, pessoas sem emprego, sem moradia... É uma realidade dolorosa, diante da qual em nada nos consola dizer que, afinal, isto não é privilégio nosso, pois outras cidades do Brasil e do mundo, mesmo os países mais prósperos, também enfrentam, o que é absolutamente verdadeiro. O fato é que temos isto, que já cansamos disto e que não queremos mais isto.  Mas almejar, somente, não resolve. Nós não podemos ficar indiferentes, de braços cruzados, à espera de que a salvação caia dos céus como o maná.

           Felizmente, Porto Alegre é uma Cidade fraterna e as pessoas - como grande parte dos agentes públicos - se sensibilizam e buscam soluções. Interessam-se. Ajudam. Reúnem-se em clubes, associações, escolas, entidades filantrópicas, igrejas, centros espíritas (estes, de forma exemplar), creches comunitárias, asilos, albergues. Atuam até individualmente, como em centenas de casos bem conhecidos. Com este trabalho dedicado e incansável, muitos daqueles problemas vão sendo minimizados, atenuados, solucionados. Projetos oficiais e iniciativas de empresas se multiplicam e com freqüência obtêm resultados positivos surpreendentes.

          Queiramos ou não, estamos inseridos num mundo ao qual chamamos "moderno" - globalizado, heterogêneo, complicado, competitivo, desumanizado em muitos casos. E desumanizado, não, talvez, diretamente por nossa culpa, embora reconheçamos que a nossa atuação nesse mundo precisa ser sempre cautelosa para que não venhamos a recair em erros pretéritos que seguramente  cometemos. Mas chegamos até aqui com muito esforço, idealismo e boa-vontade, principalmente a vontade de acertar e de fazer o melhor. Nós, porto-alegrenses, se não alcançamos ainda a "santidade" (e não me parece que a alcançaremos tão cedo, é óbvio, além do que nem nos move tal pretensão) somos, na quase totalidade, ordeiros, cultos, trabalhadores, solidários, hospitaleiros, amantes da alegria, da paz e das coisas boas. Quem nos conhece sabe disto.  

           Hoje não somos mais apenas os descendentes diretos dos casais açorianos e dos povos que vieram da África para construírem esta Cidade linda. Agora, descendemos também de outros europeus (italianos, alemães, poloneses...), de asiáticos (japoneses, coreanos, chineses...) e de imigrantes de todos os lugares do Estado, do Brasil e de outras partes do mundo, que vieram nos enriquecer com os seus talentos, habilidades, costumes e cultura. Trabalhamos, estudamos, nos divertimos; temos os nossos problemas (e quem não os têm?) e aceitamos os desafios, como nos casos que mencionei em parágrafo anterior. Mas, acima de tudo, temos fé, amamos a nossa Cidade e às pessoas e procuramos ser felizes. E, de alguma forma, conseguimos.

           Resumindo, Porto Alegre é isto – e muito mais, que não cabe numa crônica, num compêndio e nem mesmo, certamente, numa enciclopédia, pois sentimentos são impossíveis de transcrever em livros.  

           Por isto, em vez de continuar tentando descrevê-la, o melhor é encerrar por aqui, dizendo apenas que a amamos. E dando-lhe o nosso abraço – fraterno? amigo? filial? Não importa. Seja como for, ela merece, nesta data que é dela e que é nossa, pois também faz parte de nossa história pessoal e dos nossos sonhos e anseios mais profundos.

           Feliz Aniversário, Porto Alegre! 

    Vando 

         Ilustrações: - "Mosaicos 1, 2, 3"- Fotos minhas

    Volltem mais vezes

     

    PARA MATAR SAUDADES

           Em fevereiro, entre os dias 14 e 17, fiz, outra vez, uma das coisas que mais gosto. Fui "guia turístico". Ou cicerone. Já explico. Depois de alguns anos sem nos vermos, recebemos a visita de uma amiga a quem muito prezamos e que reside atualmente na Serra, mais precisamente em Garibaldi. Nossa amizade vem dos tempos saudosos em que residimos na pequena e hospitaleira Cidade de Santiago (1985 a 1987). Como passa rápido o tempo!... Já faz mais de vinte anos! 

     

           Em setembro de 2007 estivemos na casa dela. Com o marido e o filho, que agora está para completar 16 anos, exploramos a região de colonização italiana e saboreamos o melhor vinho do mundo e que se encontra no Vale dos Vinhedos. Percorremos, além de Garibaldi, todos os recantos de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves. Nessa ocasião visitamos cantinas e restaurantes espetaculares. Como anfitriões, eles são irrepreensíveis. Nos tempos de Santiago já era assim.

     

           Desta vez, nos visitaram apenas ela e o filho, pois o esposo tinha compromissos de trabalho. Apesar disto, a presença deles foi uma alegria indescritível para nós que matamos a saudade e colocamos em dia todas as novidades – até mesmo as bem antigas – que estavam sendo armazenadas para serem contadas na ocasião oportuna.

     

     

    - Garibaldi, 2007 -

     

           Como fazemos com todas as pessoas "de fora" que nos visitam, aproveitamos – eu e a Nina - para sair com eles e mostrar-lhes a Cidade. A "minha" Cidade. O filho estava ansioso por conhecer os "shoppings", em particular o novo "Barra Shopping" há pouco inaugurado ali no Cristal. Claro que fomos lá. Para o menino foi um deslumbramento: jogos eletrônicos, lojas de informática, um lojão enorme só de instrumentos musicais (o André, este o nome do garoto, é apaixonado por música – e da melhor qualidade, registre-se – e toca violão e guitarra, além de adorar os Beatles, dos quais conhece toda a obra). Seus olhos brilhavam ao depararem-se com as guitarras cintilantes e os instrumentos de percussão expostos). Para as mulheres, outra oportunidade – que não perderam – de conhecer TODAS as lojas que vendem calçados, bolsas (ah! as bolsas! Não sei porque as mulheres gostam tanto de bolsas. E de sapatos. E de vestidos. E de jóias!....) e milhares de outras quinquilharias, bugigangas e "quetais". Estes últimos, obviamente, segundo o MEU ponto de vista e "no melhor sentido". Mas, convenhamos, que existem bem iguaizinhas em  qualquer outro shopping do mundo (e que elas já conhecem), mas lá, não sei porque, lhes parece ser "novidade". Mas… saudemos estas criaturas encantadoras e maravilhosas, sem as quais não saberíamos viver. Por outro lado, cicerones têm que passar por isto. Faz parte.

     

           Bom, mas eu estava falando – ou pelo menos a isto me propunha – dos passeios pela Cidade. Assim, prossigo. Também levei-os para conhecer os lugares aos quais todo o turista é conduzido quando vem a Porto Alegre. Estivemos na Praça da Matriz, onde conheceram a Catedral Metropolitana, o Palácio do Governo, a Assembléia Legislativa, o Theatro São Pedro, o Palácio da Justica, o solar dos Câmara (ou dos Câmaras?)… Andamos pela Duque de Caxias, passando pelo Museu Júlio de Castilhos e pelo Viaduto Otávio Rocha. Passeamos pela Rua da Praia, junto aos Quartéis do Exército e da Brigada Militar, a Igreja das Dores, a Casa de Cultura Mário Quintana. Fomos até o Museu de Artes Ado Malagoli (o MARGS), o Memorial do RS, o Santander Cultural. Apresentei-lhes a Prefeitura Municipal, o Mercado Público, a novíssima e espetacular esplanada junto à Estação Central do TrensUrb. Enfim, fizemos um roteiro completo pelo centro histórico e por uma infinidade de outros lugares que normalmente incluo mesmo nos meus passeios habituais. 

     

           Foram três dias magníficos, em todos os sentidos. Para comemorar, na noite anterior ao encerramento da visita fomos ao Pedrini, alí na Venâncio Aires, degustar a famosa "pizza de panela". É coisa divina, que recomendamos a todas as pessoas de paladar refinado e que, naturalmente, apreciem pizzas.

     

    Usina do Gasômetro, fevereiro de 2009

     

           Deixei de propósito, para mencionar aqui no final, um lugar aonde também os levei e que, para minha surpresa, foi o mais comentado por eles e o que mais impressionados os deixou pela sua monumentalidade: a Usina do Gasômetro, que está completando "80 Anos de História". (Sobre a Usina, estou preparando um resumo que pretendo publicar ainda neste mês, dentro da série "Meu Tema Preferido". Aguardem, que logo ele vai sair aqui no "Nós Aqui").

     

           Pois era isto. Gostamos muito da visita. É sempre bom rever e receber amigos, particularmente quando são pessoas especiais e às quais a gente considera como fazendo parte de nossa família, como é o caso da Fátima, do Ademar (que desta vez não veio) e do André. Deles, já se sente saudade no momento mesmo de irem embora.

     

           Mas eles voltam. Com certeza. Ou nós, daqui a pouco, vamos lá, de novo, e certamente seremos recebidos com a sua tradicional hospitalidade, fidalguia e o carinho que temos reciprocamente.

     

            Vando