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    Meu Tema Preferido - XXV

     

    AS ILHAS DO GUAÍBA

           Poucas vezes nos damos conta de que o nosso Rio Guaíba (e não "lago" Guaíba, como algumas sumidades "engajadas" adotaram como forma "politicamente correta", e contra a qual eu me insubordino intransigentemente) abriga nada mais nada menos do que trinta ilhas.

     

           O Rio Guaíba começa a se formar a partir do Rio Taquari, que vem se somar aos rios Caí, Jacuí, Sinos e Gravataí, formando o que se chama de Delta do Jacuí. Este "delta" abrange, além de Porto Alegre, os municípios de Eldorado do Sul, Canoas, Triunfo, Nova Santa Rita e Charqueadas.

     

           Pois é no "delta" que se situa o Rio Guaíba e suas 30 (TRINTA!) ilhas. Algumas delas são bem extensas, como a Ilha Grande dos Marinheiros, a Ilha do Lage, a Ilha das Flores e a Ilha da Pintada (as quatro maiores). Depois vêm outras com menor extensão: a Ilha da Casa da Pólvora, a Ilha do Pavão, a Ilha das Garças e Ilha do Humaitá. As duas dezenas restantes são ilhas bem pequenas. Chega-se a elas por meio de barcos, mas as ilhas Grande dos Marinheiros, do Pavão, das Flores e da Pintada também podem ser acessadas via rodoviária, pela Ponte do Guaíba. A soma de suas populações fixas é relativamente pequena: mais ou menos 15.000 habitantes. Entre uma e outra há muitos canais, pântanos e charcos.  

     

    - Foto: Roberto Rosa -  

     

          Andei pesquisando um pouco sobre nossas ilhas e os seus habitantes, o que me ajudou a descobrir algumas particularidades que nem sempre percebemos. Estamos acostumados a ver as ilhas de certa distância. Já estive em algumas delas. Pelas maiores, também já passei algumas vezes, navegando no "Cisne Branco" e no "Noiva do Caí". Deixo a vocês uma sugestão: vão até a Ilha da Pintada e deliciem-se com o "peixe na taquara", uma das preciosidades gastronômicas locais. É coisa digna de reis.

     

    - Peixe na taquara - Foto: Prof. Rogério Ribeiro -

     

         As condições urbanas variam bastante de uma ilha para outra, assim como as "classes" das pessoas que as habitam. Na Ilha Grande dos Marinheiros e na Ilha da Pintada, os moradores se dividem, basicamente, em duas categorias:

     

         1) Os permanentes. São os primitivos, que viviam inicialmente do cultivo de arroz, frutas, verduras e da pesca, abundante em todo o Delta. A grande maioria atual faz parte das colônias de pesca e participa da vida comunitária, clubes de mães, etc. Moram em residências que se, por um lado, não são luxuosas, por outro são bastante decentes e confortáveis. São casas geralmente bonitas, limpas, algumas bastante graciosas e de visual agradável. Há boa infra-estrutura urbana, jardins, ruas calçadas e pavimentadas, praças bem conservadas, logradouros aprazíveis, linhas de ônibus urbanos, escolas até o nível de 2º grau, clubes, bons – apesar de poucos - lugares para refeições típicas e lojas de artesanato e bijuterias.

     

    - Sede da Colônia de Pescadores Z-5 - Foto: Roberto Rosa -

     

         2) os moradores de fim-de-semana – pessoas de alto poder aquisitivo, industriais, comerciantes, profissionais liberais, artistas, que possuem belíssimas residências com ancoradouros, clubes particulares e tudo o mais.

     

         Quanto à Ilha das Flores, esta é a "filha pobre" do nosso Delta. Entre seus habitantes predominam favelados, "papeleiros", pessoas pobres, quase indigentes, que vivem do recolhimento e reciclagem de lixo, moram, via de regra, em casebres miseráveis e têm uma vida bastante penosa. São as que mais sofrem na época das chuvas, perdendo, via de regra, tudo, ou quase tudo, do muito pouco que têm. Embora esta realidade degradante, nela há também algumas comunidades um pouco mais privilegiadas, com residências melhores - ou "menos piores" - mas seu nível não chega a ser muito mais elevado do que o dos demais moradores.

     

         Relaciono, a seguir, de forma aleatória, as trinta ilhas, com as características que pude pesquisar. Nas sete primeiras descrevo as anotações mais importantes relativas a cada uma. Para as demais, agrupadas, a partir da oitava – Ilha das Balseiras – não encontrei anotações que merecessem destaque:   

         1) ILHA DA CASA DA PÓLVORA - Nesta Ilha encontra-se o Eco-Museu da Ilha da Pólvora no qual são desenvolvidos diversos trabalhos científicos de graduação e pós-graduação, dentre os quais, se destacam estudos sobre a vegetação, os crustáceos, as aves e os roedores. Além disso, o CEFAM (Centro de Educação e Formação Ambiental Marinha) utiliza a área da Ilha da Pólvora para realizar, periodicamente, atividades práticas de educação ambiental.

     

         2) ILHA DAS FLORES - Catadores e recicladores de lixo são a maioria de seus habitantes. O que a salva é a bonita vista que se vê da Cidade. 

     

         3) ILHA GRANDE DOS MARINHEIROS - "Moradores de fim-de-semana". Casas luxuosas. Clubes.

     

         4) ILHA MAUÁ - Aqui fica a sede do projeto Pró-Guaíba, com laboratório e alojamento para pesquisadores.

     

         5) ILHA DO PAVÃO – Algumas praias interessantes. Boas áreas para camping. Nela se localiza uma das sedes do Grêmio Náutico União. 

     

         6) ILHA DA PINTADA - Habitada por descendentes dos imigrantes açorianos que vieram para cá a partir do século XVIII. São os "primitivos" habitantes que, no início da colonização produziam frutas, leite, verduras e se dedicavam à pesca que abastecia a Cidade. É a que mais se destaca pela excelente infra-estrutura e pelo cultivo das tradições culturais herdadas pelos antepassados. É aqui na "Pintada", também, que se come o famoso "peixe na taquara". É a Tainha na Taquara, servida no restaurante da Colônia de Pescadores. Pura delícia!  

     

         7) ILHA DA CASA DA PÓLVORA - Possui um acervo de prédios datados de 1852. Ali já foi presídio, quartel, paiol (motivo, eu acho, do nome, "casa da Pólvora") estando os prédios atualmente restaurados, abrigando exposição permanente de aquários, peixes e exemplares diversos da flora e da fauna local.

     

     

    - Foto: Marco Varnieri -

     

        8) Ilha das Balseiras, 9) Ilha Cabeçuda, 10) Ilha do Chico Inglês, 11) Ilha do Cipriano, 12) Ilha do Corumbé, 13) Ilha da Figueira, 14) Ilha da Formiga, 15) Ilha do Furado, 16) Ilha das Garças, 17) Ilha Grande do Lopes, 18) Ilhas do Humaitá, 19) Ilha do Lage, 20) Ilha Leopoldina, 21) Ilha do Lírio do Cravo, 22) Ilha da Maria Conga, 23) Ilha Nova, 24) Ilha do Oliveira, 25) Ilha Pinto Flores, 26) Ilha das Pombas, 27) Ilha Ponta Rasa, 28) Ilha do Serafim, 29) Ilha dos Siqueiras e 30) Ilha da Virgínia. 

     

         Vocês, extremamente exigentes e detalhistas, como sei que são, por certo vão detectar inúmeras falhas e lacunas na minha matéria. Que bom! Assim, ficarei sabendo que a leram e que ela mereceu atenção. Além disto, poderão me ajudar com informações complementares e as correções que se fizerem necessárias.

     

        Naturalmente vão me perdoar, pois não pretendi fazer um estudo científico sobre o assunto nem defender nenhuma tese de doutorado. Quis apenas falar, mais uma vez, sobre o "meu tema preferido" que versa sempre sobre a nossa "Leal e Valerosa Cidade", a nossa Porto Alegre que podemos observar e apreciar a partir de incontáveis perspectivas, oferecendo-nos, de cada vez, um ângulo inédito do qual possamos melhor conhecê-la e dela nos tornarmos mais e mais apaixonados. 

     

    Vando

     

    * * *

     

    As fotografias que ilustram este "Meu Tema Preferido" pertencem ao site "CÂMERA VIAJANTE".

    É um bonito site que vale uma visita. Ou mais.

    Voltamos!...

     

    RECOMEÇO

           Hoje, neste final do mês de janeiro, o primeiro de 2009, consegui, finalmente, um tempo para me dedicar de novo ao nosso "blog da Família" que depois de dezembro do "ano passado" estava inativo.

     

          Tivemos um final de ano repleto de compromissos e na transição para o ano novo pouca coisa mudou no ritmo que, até então, vínhamos mantendo. A gente cansa, sabem? Queremos "abraçar o mundo", mas conforme o tempo passa vamos nos dando conta de que os nossos braços vão encolhendo e o mundo vai aumentando a sua circunferência.

     

          Já na primeira semana de janeiro, abri o nosso site uma porção de vezes com a intenção de atualizá-lo. Mas... "cadê" inspiração e preparo físico para a tarefa? De um momento para outro, percebi que a fonte secou. Foi quando caí na realidade e decidimos, eu e a Nina, "dar um tempo". Jogar a toalha. Tirar o time de campo. Precisávamos, urgentemente, de "férias", nem que fosse de uma semana, de dez dias, algo assim.

     

          Dinheiro não era problema. Seria, na verdade, uma parte da solução... mas onde ele estava? Continuava tão curto como sempre foi. Como já nos habituamos a isto - e nem sei se saberíamos nos administrar de outra forma - fizemos um balanço nos cartões de crédito. Descobrimos que alguns deles ainda não tinham estourado e foi o que pesou na decisão final: arrumamos as mochilas, abastecemos o carro (com o "card", obviamente) e pegamos a estrada. Vamos em frente! Depois a gente vê como é que fica.

     

         Pois sabem que valeu a pena? Foi glorioso! Andamos "pelai" quase duas semanas. Visitamos lugares aos quais ainda não tínhamos ido. Retornamos a outros que já faziam parte de nossos roteiros mais antigos. Até a chuva que vez por outra nos pegou no caminho foi gostosa. O carro ficou numa faceirice, devorando as estradas, que vocês precisavam ter visto. Parecia um cachorrinho. Me fez lembrar do Charles. Grande parte de vocês não conhece o Charles, mas ele é o "beagle" mais inteligente que já transitou pelo planeta. É o pupilo do Sandro e da Ine. O "xodó do vô". O totó mais viajado do mundo.

     

         Mas, voltando ao carro, vocês ficariam encantados se o vissem junto com os outros, superando sua própria performance, curtindo a paisagem, deliciando-se nas retas e exibindo, nas curvas, toda a sua graça, estabilidade  e elegância. Nem os postos de pedágio conseguiram afetar o seu humor. Coitadinho! Ele também estava precisando disto. Ultimamente só andava pela cidade, parando em dezenas de sinais, transitando por ruas acanhadas, defendendo-se dos "flanelinhas" ou só servindo para ir à feira e ao super-mercado, voltando pra casa cheio de embutidos, batatas e enlatados. Pra ele, principalmente, foi o grito de liberdade. Liberdade! Liberdade!...  

     

         Bem, não vou contar tudo. Mesmo porque nem tudo é publicável pois há "segredos de estado" que requerem a classificação de "top secret". Afinal, um pouco de privacidade também "faz parte". O fato é que estamos de volta, renovados, refrigerados, dispostos para enfrentar as marolinhas de mais um ano que, tudo indica, vai precisar de muito fôlego.  

     

         E estar de volta é um motivo de alegria. Confesso que já estávamos sentindo falta de algumas coisas. A nossa casa, por exemplo. Por mais que nos utilizemos das mordomias dos hotéis e do conforto que eles nos oferecem, chega um momento em que o banzo nos ataca. É quando sentimos a ausência da nossa cama, do nosso travesseiro – ah, o nosso travesseiro! - do nosso banheiro e até do nosso computador; quando lembramos o cheirinho do café da manhã, que só ele tem, novinho, feito na nossa cozinha; é quando nos dá vontade de andar descalços e de sentar à mesa sem camisa ou quando queremos ler o "nosso" jornal e não o encontramos nas bancas da cidade onde estamos. Aí a melancolia é indescritível.

     

         E a saudade de vocês, então? Puxa! Neste ponto, foi duro! Mas já passou. 

     

         Se tudo correr bem – e os cartões de crédito não estiverem bloqueados – no ano que vem vocês serão nossos convidados. Vamos em comitiva. Em bando. Como andorinhas em migração. Já imaginaram o que vamos aprontar, todos juntos? Bem... isto é tema para a próxima crônica. É só ter um pouco de paciência. 

     

    Vando