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"NÓS AQUI" - Os GONÇALVES, SANTOS, LIMA, MACHADO e DESCENDENTES

CRIAMOS ESTA PÁGINA EM 19 DE DEZEMBRO DE 2005 PARA FALAR DE NÓS E DE NOSSAS FAMÍLIAS
 

                   

 
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Esperamos que voltem mais vezes, pois serão sempre bem recebidos.  

Repassando

 
A MENINA QUE CALOU O MUNDO POR CINCO MINUTOS
 
     
 
Recebi o link deste vídeo. Depois de assisti-lo diversas vezes, resolvi compartilhar com vocês. Não vou fazer nenhum comentário. Assistam, avaliem e tirem suas próprias conclusões. Estou apenas repassando.
 
Vando
 
========
 
- Vídeo gravado durante a ECO-92, no Rio de Janeiro - 
 
 

30 DE JULHO DE 2008

 

PARABÉNS, POETA! 

 

 

  

- O Poeta na Rua da Praia - Foto Liane Neves - 

 

       MÁRIO QUINTANA nasceu em Alegrete, RS, em 30 de julho de 1906 e faleceu aqui em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994. Durante toda a sua vida foi poeta. Seu jeito de menino matreiro acompanhou-o por todos os seus oitenta e oito anos pródigos de belas crônicas, versos, frases, pensamentos e poesias.

 

       Pois hoje, dia 30 de julho de 2008, Quintana faz aniversário. Lá, junto com o Anjo Malaquias e rodeado pelas namoradas a quem cantou em versos cheios de ternura, ele comemora os cento e dois anos de sua descida a este planeta complicado ao qual, na verdade, nunca conseguiu se ambientar completamente. 

 

       Então, poeta, aqui fica o abraço e o carinho da Família “NÓS AQUI”, que te recorda recitando dois dos poemas que escreveste pensando, certamente, nas tuas amadas.

Soneto Azul

Quando desperto mansamente agora
é toda um sonho azul minha janela
e nela ficam presos estes olhos,
amando-te no céu que faz lá fora.

Tu me sorris em tudo, misteriosa...
e a rua que – tal como outrora – desço,
a velha rua, eu mal a reconheço
em sua graça de menina-moça...

Riso na boca e vento no cabelo,
delas vem vindo um bando... E ao vê-lo
por um acaso olha-me a mais bela.

Sabes, eu amo-te a perder de vista...
e bebo, então, com uma saudade louca,
teu grande olhar azul nos olhos dela!

(Do livro “Baú de Espantos” – Editora Globo, RJ, 1988)

Quem Ama Inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...

E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...

Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,

Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

 

(Do livro “A Cor do Invisível” – Ed. Globo, SP, 1994)

 

Almas Perfumadas

 

 

 

- GARIMPEI E ENCONTREI UMA GEMA RARA -  

 

       Com freqüência volto às minhas anotações e arquivos, na expectativa de (re)encontrar alguma coisa que eu tenha escrito ou que pertençam a autores consagrados, pouco conhecidos ou desconhecidos (mas não anônimos). Busco textos de que gostei e que guardei para publicar numa ocasião propícia. Raríssimas são as vezes em que publico textos de “autores desconhecidos” ou sem nome e, eventualmente, quando o faço, menciono a fonte de onde se originou ou a pessoa da qual recebi. 

 

       Pois este belíssimo texto que publico a seguir, ficou longo tempo à espera de que eu o redescobrisse e no dia em que isto aconteceu deparei-me com a observação de “autor desconhecido”.

 

       Ora, tudo na vida tem uma origem. Um autor. É muito cômodo lançar-se mão de um poema, de uma crônica ou pensamento e “enfeitar” com ele o nosso blog sem dar ao autor o devido reconhecimento. Já sou blogueiro há mais de quatro anos e além dos meus blogs e spaces, costumo acessar todos os sites que posso, não só para aprender com eles como para avaliar em que nível estão os meus. Seria hipocrisia de minha parte negar que copio todos os textos e dados que me interessam, e guardo-os para utilizá-los quando a necessidade surgir. Todavia, plagiá-los ou assumir como de minha autoria matérias que não são minhas, é algo a que me nego terminantemente.

 

       Pois, voltando ao texto em referência, cujo título é “Almas Perfumadas”, o fato de não ter o nome do autor sempre me “encucou”. Naveguei por dezenas de sites, com a ajuda da ferramenta de busca onde escrevi o primeiro parágrafo, e em todos eles lá está o texto magnífico, sempre terminando com a abjeta menção de autor desconhecido. Já decidido a não mais publicá-lo, ainda fiz uma nova tentativa e eis que surge uma luz. Num desses sites encontro a transcrição um pouco modificada, à qual é acrescida, entre parênteses, esta informação: “(Com base no texto de A. Jácomo)”. Ora, viva! Não é tudo o que eu procurava, mas já é uma excelente pista. Afinal, não é um texto apócrifo. A partir daí foi só conservar na busca a frase que eu já havia escrito, colocar o ponto e virgula e em seguida acrescentar A. Jácomo. Bingo! Não deu outra. Lá está, na página “RELEITURAS” a misteriosa personagem que quase me tirou o sono. Seu nome? Ana Cláudia Saldanha Jácomo, jovem jornalista carioca, que tem no resumo de seu currículo, além de ser funcionária pública, a informação de que é “absolutamente enamorada, desde criança, pelo exercício de escrever”. Nele ainda consta, textualmente, que “O estilo predominante em seus textos é a prosa poética, a exemplo de “Almas Perfumadas”, que publicou, ainda inédito na internet, no Releituras, quando o site estava inaugurando o espaço para novos escritores. Na década de 90, participou com contos e crônicas das antologias "Hoje", "Agora" e "Já", resultantes do trabalho da Oficina Literária do poeta Cairo Trindade, a qual freqüentou por cerca de um ano. Em 2001, lançou um livro independente intitulado “Parto de Mim”, impresso na Fábrica de Livros da SENAI, com duas tiragens já esgotadas. Apaixonada por música, desde sempre, no finalzinho de 2006 começou também a percorrer o caminho da composição musical. Gosta de dizer que escrever é o seu trabalho mais lúdico. Seu jeito preferido de prece. Sua maneira predileta de levar o coração para pegar sol.”

 

       É isto, pessoal. Bastou um pouquinho de trabalho para trazer ao conhecimento de quem gosta de poesia, o nome de alguém que teve seu trabalho publicado e difundido sem merecer o crédito que lhe é devido.

 

       Resgatado este nome bonito – Ana Cláudia – dou por finda a minha empreitada e repasso a vocês, integralmente, como aparece no site, o que ela escreveu sobre “gente que tem cheiro de colo de Deus”.

 

       Leiam, comovam-se e repassem, não deixando nunca de mencionar o nome da autora que agora, através de “NÓS AQUI”, retoma o lugar de onde nunca poderia ter sido alijada.

 

Vando.

 

..........................

 

 

"Almas perfumadas"

 

Ana Cláudia Saldanha Jácomo

Jornlista, 1966

 

(Para minha avó Edith)

 

 

 

Foto ilustrativa: Gaijin Biker (Big Ben)

- Do site WIKIPEDIA

 

 

 

"Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor." 

 

* * *

 

 Fonte: RELEITURAS

 

O Blog de Ana Cláudia:

"CHEIRO DE FLOR QUANDO RI"

 

Meu Tema Preferido - XXIII

 

 

IBERÊ CAMARGO
(18 Nov-1914 - 9-Ago-1994)

 

 

Foto: Ronaldo Brito. Iberê Camargo (Pág. 113); DBA; São Paulo, 1994

 

       Iberê Bassani de Camargo nasceu em Restinga Seca, uma pequenina cidade do interior do Rio Grande do Sul, em 18 de novembro de 1914. É conhecido como grande artista expressionista abstrato. Sua obra (pinturas, desenhos, guaches e gravuras) e sua intensa atividade são, realmente, fabulosas. É indiscutível que Iberê é um dos grandes expoentes artísticos no século XX. Viveu grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, e desde jovem sentiu-se atraído pelas obras de Guignard e Goeldi. Foi discípulo de Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antonio Achille e André Lothe, com os quais estudou na Europa.

 

       Participou de exposições no Brasil e fora dele, tendo sua obra aplaudida nas Bienais de São Paulo, de Veneza, de Tóquio e de Madri. Incontáveis mostras e exposições realizadas na França, Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, Itália e Escócia contaram com a presença de seus trabalhos. O acervo que legou para a posteridade conta com mais de sete mil obras, grande parte delas deixadas a sua esposa, D. Maria Coussirat Camargo. Essas obras estão atualmente integradas à Fundação Iberê Camargo.

 

       Andei tentando resumir, o quanto possível, a biografia deste gênio para publicar no nosso “Space”, mas não consegui. É muita coisa. Não se consegue dizer tudo sobre um artista de tal magnitude. Mesmo assim, vou ousar, com as minhas limitações já sobejamente conhecidas, falar mais um pouco sobre o que levantei acerca deste mito que nos enche de orgulho.

 

       Entre 1928, quando aos 14 anos começou a estudar pintura na Escola de Artes e Ofícios em Santa Maria-RS, e o seu falecimento em agosto de 1994, é incrível o que encontrei a seu respeito.

 

       Residiu em Santa Maria até 1936, quando transferiu-se para Porto Alegre, onde veio trabalhar no Departamento de Saneamento e Urbanismo da Secretaria de Obras Públicas, até iniciar seu curso de Arquitetura no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.

 

       Já casado com D. Maria Coussirat, em 1940, voltou a dedicar-se à sua paixão, a pintura. Somente após dois anos (em 1942) é que realizou sua primeira exposição individual, nas dependências do Palácio do Governo do Estado e em seguida transferiu-se para o Rio de Janeiro, com o auxílio de uma bolsa de estudos.

 

       Penso que é a partir daí que começou a sua projeção nacional e internacional, pois já no ano seguinte, 1943, junto com Elisa Byington, Geza Heller e Guignard, torna-se fundador do “Grupo Guignard”, um grupo de artistas que dividia um ateliê na Rua Marquês de Abrantes nº 4, no Rio de Janeiro, onde antes funcionava a gafieira “A Flor de Abacate” (daí o nome do grupo, “A Nova Flor de Abacate”, dado por Manuel Bandeira).

 

- "Natureza Morta nº 7" - Gravura em metal, 1953 -  

 

       Então, Iberê não parou mais.  Encontrei uma lista imensa de atividades (exposições, mostras, cursos, participações diversas, prêmios... incrível!) cuja transcrição se tornaria uma odisséia, motivo pelo qual não vou fazer. Mas nos sites relacionados no final, vocês poderão encontrá-la e, garanto, vale a pena dar uma olhada. 

 

       Pois, para alegria nossa e de todos os que apreciam a arte e a cultura, nossa Porto Alegre ganhou ontem, 30 de maio de 2008, o melhor presente dos últimos tempos. Fica ali, no prolongamento da Avenida Padre Cacique, no contorno de onde se pode apreciar um dos mais belos crepúsculos do mundo: a “SEDE DA FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO”.

 

- Uma perspectiva do prédio da "Fundação Iberê Camargo", recém inagurado -

 

       Ali se localiza o Memorial destinado à preservação da obra deste grande artista. Tem uma arquitetura de linhas modernas, ousadas e, surpreendentemente, leves, bonitas e harmoniosas. É um projeto do arquiteto português Álvaro Siza, considerado um dos cinco arquitetos mais importantes da atualidade. 

 

       Graças à notícia que eu pretendia publicar dentro da série “MEU TEMA PREFERIDO” e que me direcionava para esta nova casa de cultura de nossa Cidade, fiquei sabendo um pouco sobre a vida e a obra de Iberê Camargo que, se não conto inteira para vocês, é porque, como ja disse, precisaria de uma infinidade de capítulos para que se pudesse apenas rabiscar e que não resultariam senão em uma pálida aquarela do que é e do que significa Iberê para a nossa Cultura. Estes pequenos atalhos que aqui reproduzo, a partir do tema proposto, já são o bastante para nos conduzirem a caminhos onde a surpresa e o inusitado nos aguardam, revelando-nos um pouco deste personagem fascinante.

 

       Como hoje é sábado e pretendo dar um pulo até o novo Museu de Porto Alegre, a "casa de Iberê", encerro por aqui. Imagino que tenha cumprido o meu propósito de levar até vocês mais um capítulo sobre os temas de que mais gosto e que se relacionam, quase sempre, com coisas de nosso Estado e, em particular, com aquelas da minha Porto Alegre.  

 

       Um bom final de semana a todos e até à próxima.

 

Vando

 

* * *

FONTES QUE ANDEI CONSULTANDO:

 

- FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO

 

- PINTURA BRASILEIRA.COM

 

- ERROL FLYN GALERIA DE ARTE 

 

ESTES VÍDEOS, EM .WMV, MOSTRAM PARTE DO PROJETO DO MEMORIAL/MUSEU.

É SÓ CLICAR NOS TÍTULOS:  

 

- PROJETO - O ARQUITETO

 

- VIAGEM VIRTUAL

 

Esforcemo-nos por fazer a pontuação corretamente.

 

"Show" da Língua Portuguesa!

 

- Colaboração do Adroaldo -  

 

 

 

 

 

       Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim:

 

       “Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres”

 

       Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava ele a fortuna?

 

       Eram quatro os concorrentes.

 

       1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:

 

       “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.”

 

       2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:

 

       “Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.”

 

       3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:

 

      Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.”

 

       4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez esta interpretação:

 

       "Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

 

       Moral da história:

 

       “A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação.”

 

       E isso faz toda a diferença...

 

* * * 

 

(Fonte e/ou Autor desconhecidos)

11 DE MAIO DE 2008 - DIA DAS MÃES

 

MINHA MÃE

 

Vinicius de Moraes


Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo.
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.


Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.


Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso.
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode.
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora.
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas,
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha,
Teu irmão, que o estudo adormeceu,
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.


Dorme, meu filho, dorme no meu peito.
Sonha a felicidade. Velo eu.

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo.
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique.
Afugenta este espaço que me prende,
Afugenta o infinito que me chama,
Que eu estou com muito medo, minha mãe. 

* * *


- Do livro "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa" - 

Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 186.

 

* * *

A todas vocês, mães, avós, bisas

e futuras mamães, onde quer que vocês

estejam, a nossa homenagem

neste dia especial , com o abraço

e todo o carinho dos filhos

da Família "NÓS AQUI".

 

 

MEU TEMA PREFERIDO - XXII (9)

 

SANTA MARIA E EU

 

- 9ª PARTE -

 

FINAL

 

“UMA HISTÓRIA BONITA: A LENDA DE IMEMBUÍ”

 

       Imembuí era uma bonita índia da tribo dos Minuanos, habitantes das margens do Riacho Itaimbé. Seu nome significava “salva das águas”, pois ela nasceu quando sua mãe, a índia Yboquitã, banhava-se nas águas do riacho.

 

       Acangatu, jovem índio da tribo dos Tapes, apaixonou-se por Imembuí, e para testemunhar seu amor e sua coragem trazia-lhe todos os dias uma caça como presente. Imembuí, porém, tinha por ele somente uma afeição fraterna. Certo dia encheu-se de coragem e disse-lhe que sentia por ele apenas amizade. O índio, magoado, embrenhou-se na mata e não mais foi visto.

 

       Nessa época, um grupo de bandeirantes, avistando a aldeia, julgaram que seria presa fácil, pois só viram uma manada de cavalos pastando pacificamente. Então decidiram atacá-la para apreender os índios e levá-los como escravos.

 

       Entretanto, em cada cavalo um guerreiro escondia-se no flanco oculto da montaria. Dado o alarme pelos vigias, os minuanos, em violenta carga, dizimaram os atacantes. Os sobreviventes fugiram ou foram aprisionados.

 

       O bandeirante português, Rodrigo, caindo prisioneiro, foi condenado à morte. Enquanto aguardava o desfecho de seu triste destino, tocava uma música dolente no seu violão e cantava a saudade de sua terra. Imembuí, ouvindo seu canto e admirando seu rosto bonito, comoveu-se e passou a aproximar-se dele para ouvi-lo cantar. Seu coração jovem e sensível apaixonou-se por Rodrigo e, sabendo do destino que o aguardava suplicou a seu pai, o Cacique Apacani, para que o poupasse.

 

- Alegoria - Rodrigo ("Morotin") e Imembuí -

       O Cacique, atendeu-a, tendo Rodrigo passado a viver entre os Minuanos. O casamento de Imembuí e Rodrigo logo aconteceu, de acordo com o ritual indígena e a partir daí Rodrigo passou a chamar-se Morotin. Mais tarde casaram-se, também, nas Missões, onde batizaram seu filho, José.

       O indiozinho José tornou-se um jovem forte e corajoso, e começou afastar-se de casa, exercitando-se como caçador. Sua mãe sempre recomendava que tomasse cuidado, pois, como ele ainda era um menino, poderia ser presa fácil para alguma fera faminta. Um dia, José saiu para caçar e, não conseguindo encontrar o caminho de volta, se perdeu na mata. Seus pais procuraram-no por toda parte. Talvez um animal o tivesse ferido, ou uma cobra venenosa o tivesse picado. Imembuí chorou muito o desaparecimento do menino.

 

       José, já cansado, continuou andando pela mata até anoitecer. Então, aconchegou-se no tronco oco de uma árvore, abrigando-se do frio e das feras, aí passando a noite. No dia seguinte, bem cedo, continuou a andar. Chegando às margens de um grande rio, encontrou uma cabana habitada por um índio que o acolheu. José contou-lhe sua história. O homem, comovido, dispôs-se a ajudá-lo e conduziu-o de volta até a aldeia dos Minuanos. 

 

       A aldeia ficou em festa com o retorno de José. Imembuí e Morotin, agradecidos ao homem que encontrara o seu filho, convidaram-no a participar da alegria de toda a tribo. Então reconheceram nele o índio Acangatu que já havia se curado de sua paixão por Imembuí.

 

       De acordo com essa lenda, Santa Maria surgiu no lugar daquela aldeia, muitos anos depois, quando os homens brancos chegaram, destruindo o povoado. Sabendo da historia, contada a eles pelos índios, os brancos consideraram que a Cidade teve sua origem no amor que uniu uma índia com um branco, nas margens do Arroio Itaimbé.

 

       E ainda hoje a lenda de Imembuí corre de boca em boca, fazendo parte da memória do povo santa-mariense.

 

* * *

 

       Assim termina a História que decidi contar, a partir de minha perspectiva pessoal.

 

       Relendo tudo o que escrevi, acho que até saiu bem, mas deixo para vocês a avaliação e o julgamento final, enquanto espero que tenham gostado.  

 

Vando

 

_____________

 

CRÉDITOS PARA TODAS AS NOVE CRÔNICAS:

 

- PICASA – ÁLBUNS DA WEB

- SKYSCRAPERCITY.COM (1)

- SKYSCRAPER.COM (2)

 - PREFEITURA MUNCIPAL DE SANTA MARIA

- MEUS ARQUIVOS E ANOTAÇÕES PESSOAIS

 

MEU TEMA PREFERIDO - XXII (8)

 

SANTA MARIA E EU

 

- 8ª PARTE -

 

“O QUE PESQUISEI SOBRE A HISTÓRIA DA CIDADE”

  

 

- Vista panorâmica da Cidade atual -

 

 

       Pelos dados que reuni, Santa Maria possui uma área de aproximadamente 1780 km2 e conta atualmente com uma população de mais ou menos 270 mil habitantes. É a quinta Cidade do Estado, em população, e localiza-se bem no centro do Estado.

 

       Seus registros históricos dão como seus habitantes originais, de um lado, os índios Minuanos, que se localizavam na região conhecida por Coxilha do Pau Fincado e de outro os Tapes, mais numerosos, que se localizavam na região da Serra.

 

       Com o “Tratado Preliminar de Restituições Recíprocas” estabelecido entre Portugal e a Espanha, em 1777, decidiu-se pela devolução a ambas as partes das terras que eram ocupadas ilegalmente. O território santa-mariense ficava entre as terras desses países. Em 1787, uma comissão mista divide esse território em sesmarias, sendo dada a Francisco de Amorim a área onde a Cidade se encontra atualmente. Este donatário logo vendeu a sua parte ao Padre Ambrósio José de Freitas. O engenheiro José Saldanha chefia a Primeira Subdivisão Demarcadora de Limites da América Meridional, que segue com seu trabalho até Santo Ângelo.

 

       Em vista de desentendimentos havidos com relação aos limites demarcados, e desavenças com Dom Diogo de Albear, comissário espanhol, em 1797, o Coronel Francisco João Róscio retorna a Santa Maria, comandando uma Segunda Subdivisão Demarcadora, montando acampamento onde, hoje, se situa a Praça Saldanha Marinho e a Rua do Acampamento, formando aí um pequeno povoado no qual estima-se que havia mais de quatrocentas pessoas, incluídas entre elas, outras que vieram das imediações.  

 

       Ao local, que ficou conhecido como Acampamento de Santa Maria, acrescentou-se, posteriormente, o nome Boca do Monte, um apelido dado pelos espanhóis, por este ficar na Serra que conduzia a São Martinho. No local onde ficavam os ranchos dos demarcadores surgiu a Rua São Paulo, hoje Rua do Acampamento, sendo aberta, em seguida, a Rua Pacífica, que teve o seu nome mudado para Rua do Comércio e finalmente Rua Dr. Bozano, que se prolonga até à frente do quartel do antigo 7º RI, já na Av. Borges de Medeiros.

 

       Com a chegada, em 1828, de um  “28º Batalhão de Estrangeiros”, constituído de alemães assalariados que vinham participar da Guerra Cisplatina, contra os Orientais, o povoamento da região intensificou-se. Finda a operação, a tropa é dissolvida e muitos dos militares decidem permanecer em Santa Maria, enquanto outros seguem para São Leopoldo, quando tem início o ciclo da colonização alemã no Estado.

 

       Até essa época, o território de Santa Maria fazia parte de Cachoeira do Sul. Com a separação, em 1857, foi elevada à condição de Vila e em 16 de dezembro do mesmo ano torna-se município. A instalação definitiva ocorreu em 17 de maio de 1858, data em que é comemorado atualmente o Aniversário da Cidade que, neste ano, completa 150 anos.  

 

* * *

 

- Conclui a seguir -

 

MEU TEMA PREFERIDO - XXII (7)

 

SANTA MARIA E EU

 

- 7ª PARTE -

 

AGORA EU TAMBÉM SOU UM SANTA-MARIENSE

 

- Brasão da Cidade -

O listel é uma faixa com as cores do Estado e traz como legenda  

"SANTA MARIA - CIDADE CORAÇÃO